O Departamento de Defesa dos Estados Unidos abriu uma investigação sigilosa para descobrir se a pane em freezers de bases militares, registrada em agosto, foi sabotagem digital. A apuração foi revelada pela agência Reuters. Seis equipamentos pararam de funcionar como deveriam, todos usados para guardar alimentos congelados que os militares compram dentro das instalações.
O caso mais grave aconteceu em Fort Huachuca, no Arizona. Durante a madrugada, a temperatura de um dos freezers subiu além do limite e todo o estoque precisou ir para o lixo. Na época, o problema foi tratado como mau funcionamento. Só agora veio a público que o Pentágono trabalha com a hipótese de ataque.
Quem está investigando
O caso está com o Cyber Field Office, a unidade de crimes cibernéticos da divisão de investigações criminais do Exército americano. Até aqui não há conclusão divulgada: ninguém confirmou invasão, e nenhum suspeito foi apontado. O Pentágono também não explicou como os freezers estariam ligados a alguma rede que permitisse acesso remoto.
O precedente francês
A desconfiança cresceu por causa de um episódio na França, poucas semanas antes. Em uma única madrugada, cerca de 400 supermercados tiveram os sistemas inteligentes de refrigeração alterados à distância. Os invasores acionaram o ciclo de descongelamento das câmaras frias, e a temperatura chegou a 50 ºC em alguns pontos. Houve perda de mercadoria em larga escala e até princípios de incêndio.
No caso francês, a exploração de uma vulnerabilidade já está confirmada, embora os autores sigam sem identificação. O mesmo Cyber Field Office participou dessa investigação, em coordenação com outras agências e forças policiais. Segundo a Reuters, autoridades dos dois países trocam informações para ampliar a análise. A embaixada da França em Washington não comentou.
Por que isso interessa fora dos EUA
Freezer parece um alvo estranho para hacker, mas a lógica é antiga: atacar a cadeia de suprimentos para provocar escassez é tática conhecida em conflitos. A diferença é que hoje boa parte da refrigeração comercial tem controlador conectado, com painel acessível pela internet para monitorar temperatura e programar degelo. Uma configuração alterada remotamente estraga toneladas de comida sem que ninguém precise entrar no prédio.
No Brasil, redes de supermercado, frigoríficos e centros de distribuição usam o mesmo tipo de controlador conectado. O episódio francês mostra que um único erro de segurança pode atingir centenas de lojas na mesma noite. Para quem administra esses sistemas, a medida mais básica é tirar o painel de controle da internet aberta e trocar as senhas de fábrica.
O Pentágono não deu prazo para concluir a investigação sobre os seis freezers. Até o momento, o incidente de Fort Huachuca é o único com prejuízo detalhado publicamente.
