A Polícia Civil do Distrito Federal desmontou na quinta-feira (24) um dos balcões de dados pessoais mais lucrativos já investigados no país. A Operação Perseu 7, conduzida pela Delegacia Especial de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), mirou os responsáveis pela plataforma Mind-7, um painel pago de consultas que, segundo os investigadores, movimentou mais de R$ 7 milhões entre 2021 e 2026.
Como o esquema funcionava
O modelo era de assinatura. O cliente pagava uma mensalidade, digitava um CPF ou CNPJ e recebia na tela um dossiê da pessoa: nome completo, nomes dos pais, endereços, números de documentos, vínculos familiares e até processos judiciais em andamento. A base somava centenas de milhões de registros, montados a partir de vazamentos antigos e de falhas em sistemas. De acordo com a polícia, havia inclusive informações cobertas por sigilo fiscal, como dados da Receita Federal.

Quem comprava o acesso não era o curioso comum, e sim outras quadrilhas. O uso mais frequente identificado foi o golpe do falso advogado: de posse dos dados reais de um processo, o criminoso procurava a vítima fingindo representar o escritório que cuida da causa e pedia um depósito “para liberar” um valor retido pela Justiça. Com nome do juiz, número da ação e detalhes que só as partes deveriam conhecer, a abordagem fica muito convincente.
Mandados em seis estados
Mais de 80 policiais cumpriram 13 mandados de prisão temporária e ordens de busca em seis estados: Paraná, São Paulo, Pernambuco, Minas Gerais, Espírito Santo e Piauí. A Justiça mandou tirar o site do ar e bloquear bens até o limite de R$ 7 milhões, o que inclui imóveis, carros de luxo, uma embarcação e criptomoedas.
A investigação descreve uma estrutura de empresa, com liderança, setor financeiro, desenvolvedores do painel, compradores de bases vazadas, aplicadores de fraude, gestores de contas de laranjas e até uma área de “marketing” para atrair clientes. O faturamento vinha acelerando: mais de R$ 4 milhões entraram só em 2025, e o grupo já finalizava uma segunda plataforma com o mesmo modelo. Para lavar o dinheiro, usava empresa de fachada, contas coletivas e transferências em criptoativos. Os suspeitos podem responder por organização criminosa, lavagem, receptação qualificada, invasão de dispositivo e estelionato, com penas que, somadas, passam de 36 anos.
O que isso significa para você
Painéis como o Mind-7 explicam por que os golpes estão cada vez mais personalizados: o criminoso já chega sabendo quem você é. Derrubar um deles ajuda, mas os dados vazados continuam circulando. O mais eficaz é criar o hábito de confirmar qualquer cobrança por outro canal, ativar a verificação em duas etapas nas contas importantes e manter proteção no celular, onde a maior parte dessas abordagens começa, por WhatsApp ou SMS. Uma suíte como o Kaspersky Premium bloqueia links de phishing, e uma chave física reforça o login das contas mais sensíveis.
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