A OpenAI pretende mostrar um robô humanoide em 2027. Quem deu a data foi Sam Altman, CEO da empresa, no podcast Fortune 500: Titans and Disruptors of Industry, ao responder à apresentadora Alyson Shontell se a dona do ChatGPT estava mesmo trabalhando com robótica. Altman prometeu “uma demonstração e tanto” para o ano que vem, mas descartou ver máquinas da empresa andando pelas ruas tão cedo. Segundo ele, isso ainda leva alguns anos.
Não há data de lançamento, preço nem especificação. O que existe é um cronograma em duas etapas descrito pelo próprio executivo: primeiro resolver o software que comanda o robô, depois construir o corpo. Por isso não está claro se a demonstração de 2027 terá um protótipo completo ou só partes dele.
O gargalo está no cérebro
Altman apontou o controle da máquina como o problema central. Um humanoide em fábrica ou em casa precisa decidir o que fazer diante de pessoas e objetos que nunca viu exatamente daquele jeito. Pegar uma xícara cheia de café envolve reconhecer o objeto, achar a alça, dosar a força e levantar sem derrubar. Basta errar uma etapa e o café vai para o chão. Para acertar, o robô precisa cruzar em tempo real o que as câmeras captam com o que os sensores registram.
Quando um modelo de linguagem erra, o resultado é uma resposta ruim na tela. Quando um braço mecânico erra, alguma coisa quebra. A OpenAI ainda não domina essa passagem do digital para o físico, e Altman admitiu isso.
Volta a um projeto antigo
A empresa já tentou antes. O Dactyl, mão robótica treinada em simulações virtuais para manipular objetos reais, ficou conhecido em 2019 por resolver um cubo mágico. Os testes fora da simulação esbarraram justamente no problema descrito agora por Altman, e pouco depois a OpenAI desmontou a equipe de robótica para concentrar esforço nos modelos de linguagem. A área só voltou em 2024.
As vagas abertas pela divisão dão uma ideia do tamanho da aposta. A empresa procura engenheiros de atuadores eletromecânicos feitos sob medida, para desenvolver motores, sensores, transmissões e sistemas térmicos, e também profissionais com experiência em fabricar hardware em grande volume. Ninguém contrata para produção em escala se o plano é ficar num protótipo de laboratório.
Rivais saíram na frente
A OpenAI chega tarde a um setor em que Tesla, Figure e as chinesas Unitree e UBTech já exibem humanoides andando, correndo e, em testes, trabalhando em linhas de montagem. A aposta de Altman é que o modelo de IA faça a diferença. O risco é que os concorrentes já resolveram boa parte da mecânica que a OpenAI ainda vai começar a construir.
Para quem está no Brasil, nada disso vira produto na prateleira tão cedo. O robô é um dos projetos de hardware da OpenAI, ao lado do dispositivo que a empresa desenvolve com o designer Jony Ive. A única data concreta até agora é a da demonstração: 2027, sem mês definido.
