A conta do sucesso do GPT-6 Astra chegou rápido. Menos de duas semanas depois de lançar o modelo que opera o computador sozinho, a OpenAI anunciou que vai parar de vender novas assinaturas do ChatGPT Pro, o pacote de US$ 200 por mês — cerca de R$ 525 no Brasil. O motivo não é falta de demanda: é exatamente o contrário. A procura pelo plano mais caro cresceu além do que a infraestrutura da empresa consegue sustentar, e o Astra é o modelo mais faminto por computação que a OpenAI já colocou em produção.
No comunicado publicado no X, a companhia explicou que a medida é temporária e que escolheu o “menor passo possível” para manter a experiência de quem já paga. Quem tem conta Pro ativa não perde nada, e os planos Free, Plus e Business seguem abertos, assim como a API para desenvolvedores. A empresa afirma que está adicionando capacidade “o mais rápido possível”, sem dar prazo para reabrir as vendas.
O aperto já tinha sido antecipado internamente. Na semana passada, Tibo Sottiaux, engenheiro que trabalha com o Codex e com o ChatGPT, havia avisado publicamente que a OpenAI precisaria ampliar sua infraestrutura em ritmo acelerado para acompanhar o volume de acessos ao novo modelo — e que, se isso não acontecesse, travar novas vendas seria o caminho para preservar quem já é assinante. Foi precisamente o que aconteceu.

Vale lembrar por que o Pro puxa tanto processamento. É o degrau em que ficam os limites mais generosos de uso, os modos de raciocínio prolongado e, agora, o acesso amplo ao GPT-6 Astra — que o presidente da OpenAI, Greg Brockman, descreveu como “o início da era da AGI”. Um modelo que executa tarefas de várias etapas sozinho fica rodando por minutos a fio em cada pedido, enquanto um chat comum resolve tudo em segundos. Multiplicado por dezenas de milhares de assinantes novos, o custo de GPU explode.
Para o leitor brasileiro, o episódio serve de termômetro de duas coisas. A primeira é que o gargalo da inteligência artificial hoje não é software, é silício e energia — a mesma escassez que faz a TSMC dobrar sua capacidade de empacotamento de chips e a NVIDIA não dar conta dos pedidos. A segunda é prática: quem pretendia assinar o plano mais caro para testar o Astra vai precisar esperar, e a alternativa de curto prazo é o Plus ou o acesso via API, que continua liberado e cobra por uso em vez de mensalidade fixa.
