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OpenAI diz ter resolvido as equações de Navier-Stokes com até 10 mil agentes de IA, e matemáticos acusam a empresa de espiar seus prompts

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OpenAI diz ter resolvido as equações de Navier-Stokes com até 10 mil agentes de IA, e matemáticos acusam a empresa de espiar seus prompts

A OpenAI anunciou nesta semana que um enxame de agentes de inteligência artificial encontrou uma solução para as equações de Navier-Stokes, o conjunto de fórmulas com quase 200 anos que descreve como fluidos se movem. Se confirmado pela comunidade matemática, seria o primeiro dos Problemas do Milênio do Instituto Clay resolvido com participação decisiva de IA. Mas o anúncio veio acompanhado de uma disputa pública sobre quem chegou primeiro, e como.

O que a OpenAI diz ter feito

Formuladas no século 19, as equações de Navier-Stokes estão por trás da previsão do tempo, do projeto de asas de avião e da simulação de qualquer coisa que envolva líquidos ou gases. O problema em aberto, listado pelo Instituto Clay com recompensa de US$ 1 milhão, é provar que as soluções existem e permanecem suaves em três dimensões para qualquer condição inicial.

De acordo com Sebastien Bubeck, que pesquisa matemática e IA na OpenAI, a operação começou com mais de mil agentes autônomos trabalhando de forma contínua por 50 horas e chegou a escalar para 10 mil agentes virtuais até a resposta aparecer. A prova foi escrita e checada em Lean, a linguagem usada para verificar demonstrações matemáticas por computador, o que em tese reduz a chance de erro humano na conferência. A OpenAI admite que o custo computacional ficou “na casa dos milhões de dólares”.

Logotipo da OpenAI exibido na tela de um celular

A acusação de espionagem

A polêmica começou quando dois matemáticos, Tristan Buckmaster, da Universidade de Nova York, e Levent Alpöge, pesquisador da Anthropic, revelaram que vinham atacando o mesmo problema com a ajuda dos modelos Claude e Codex. Buckmaster sustenta que a OpenAI teria acompanhado, sem avisar, os registros de uso que a dupla fazia do Codex, e usado isso para apontar seus próprios recursos computacionais na direção certa e cruzar a linha de chegada antes.

A denúncia tem um segundo capítulo. Ainda de acordo com o professor da NYU, executivos da OpenAI teriam sugerido que ele publicasse o resultado sem citar Alpöge, funcionário de uma concorrente direta. A OpenAI nega as duas acusações, e o CEO Sam Altman endossou publicamente a defesa.

A resposta da empresa

Bubeck afirmou que nem os pesquisadores nem os agentes tiveram acesso ao trabalho da dupla antes de ele se tornar público, e que nenhum prompt ou prova de terceiros foi usado para instruir os modelos. Ven Chandrasekaran, matemático da OpenAI, acrescentou que a solução de Buckmaster e Alpöge tem natureza bastante diferente da produzida pela empresa.

Há, porém, uma ressalva importante no comunicado: a OpenAI reconhece que existe a possibilidade, ainda que remota, de dados anonimizados gerados pelo uso do Codex e de outras ferramentas de desenvolvimento terem contribuído para aprimorar e direcionar seus modelos internos. É exatamente esse ponto que alimenta a desconfiança de quem usa essas plataformas para pesquisa competitiva.

Por que isso importa

Para além da disputa de egos, o caso levanta duas questões que interessam a qualquer empresa ou pesquisador brasileiro que usa assistentes de código na nuvem. A primeira é técnica: até que ponto uma prova gerada por milhares de agentes e verificada por máquina será aceita por revisores humanos e pelo próprio Instituto Clay, que exige publicação e escrutínio por dois anos antes de pagar o prêmio. A segunda é de confiança: se os logs de uso podem, ainda que de forma anônima, alimentar os modelos do provedor, o que impede que a ferramenta aprenda com o trabalho de um cliente e beneficie outro? Nenhuma das duas perguntas tem resposta ainda, e a comunidade matemática só deve se pronunciar depois de examinar a prova em detalhe.



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