O FBI prendeu e acusou formalmente Abdulrahman Alfozan, engenheiro da OpenAI, por instalar um gravador de áudio escondido em uma sala de reunião da empresa em San Francisco. O caso veio a público nesta terça-feira (13), primeiro por uma publicação da própria OpenAI no X e, horas depois, pela denúncia do Departamento de Justiça dos Estados Unidos.
Alfozan tem 35 anos, nasceu na Arábia Saudita e estava na OpenAI havia cerca de um ano. Antes, trabalhou na Meta e foi estagiário na Microsoft. Ele foi demitido.

Gravador enrolado em papel higiênico
O aparelho foi achado em 30 de setembro, plugado na porta USB da parte de trás de uma Smart TV e coberto com papel higiênico. Era um gravador com conexão Wi-Fi, montado para captar as conversas da sala. Uma segunda unidade, parecida, estava numa mochila que o engenheiro deixou em outro ponto do escritório, junto com a carteira e um documento de identificação dele.

A acusação monta o caso com três tipos de prova. As câmeras mostram Alfozan passando várias vezes perto da sala nos dias anteriores, sem compromisso marcado ali, e registram o momento em que ele confere a parte de trás da TV. Uma ferramenta interna de produtividade guardou perguntas dele sobre o prédio, as salas de reunião, a agenda do local e onde estariam executivos e parceiros externos. E uma conta de chatbot ligada à esposa do suspeito tem, na semana anterior à instalação, pedidos de ajuda para montar, configurar, testar e instalar gravadores remotos de áudio por Wi-Fi.
O que se sabe sobre o conteúdo
Pouco. As gravações estavam criptografadas, e o Departamento de Justiça diz que ainda não determinou o que foi captado nem quem receberia o material. A OpenAI afirma que usou modelos próprios para identificar o dispositivo e rastrear sua origem, sem dizer quais, e que, até agora, não achou sinal de que ele tenha entrado em sistemas internos ou levado código, informação sobre modelos ou dados de usuários.
O caso chega num momento delicado para a empresa, que se prepara para abrir capital e já responde a questionamentos sobre o uso de agentes de IA em ataques, como no processo envolvendo a Hugging Face. Se condenado, Alfozan pode pegar até cinco anos de prisão, multa de US$ 250 mil e três anos de liberdade supervisionada.