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OpenAI contrata Dan Driscoll, ex-secretário do Exército dos EUA, e avança no setor de defesa

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OpenAI contrata Dan Driscoll, ex-secretário do Exército dos EUA, e avança no setor de defesa

Dan Driscoll comandou o Exército americano como secretário até setembro. Agora ele trabalha para a OpenAI. A empresa anunciou na segunda-feira (2) que ele assume o posto de conselheiro sênior para modernização da segurança nacional, cerca de dois meses depois de sair do governo Trump após atritos com o secretário de Defesa, Pete Hegseth.

A função é orientar órgãos públicos e empresas parceiras sobre como aplicar inteligência artificial em estratégia e política de segurança. Segundo a OpenAI, o foco será criar ferramentas de forma responsável para os Estados Unidos e seus aliados. A empresa cita três usos práticos: analisar volumes grandes de dados, cortar etapas burocráticas e encurtar o tempo até uma decisão.

Quem é Driscoll

Ele passou 18 meses no cargo. No Pentágono, tocou projetos de drones baratos e incentivou o Departamento de Defesa a comprar mais software comercial, em vez de sistemas feitos sob encomenda. Também participou de conversas diplomáticas sobre a guerra entre Rússia e Ucrânia. Antes da vida pública, fez carreira em consultoria e em fundos de investimento. A briga com Hegseth girava em torno de promoções de oficiais e da velocidade da reestruturação militar.

Uma sequência de movimentos

A contratação segue um padrão. Em junho de 2024, o general da reserva Paul Nakasone, que dirigiu a NSA, ganhou uma cadeira no conselho da OpenAI. No mesmo ano, a empresa fechou acordo com a Anduril, fabricante americana de equipamentos militares, para usar seus modelos num sistema que identifica ameaças de drones. Em junho de 2025 veio um contrato de US$ 200 milhões com o Departamento de Defesa para ferramentas de segurança nacional. Em fevereiro de 2026, os modelos da empresa passaram a rodar nas redes seguras do Pentágono.

Esse último acordo tem limites de uso, mas permite que o governo empregue a tecnologia em qualquer finalidade permitida pela lei americana. Críticos enxergam nessa cláusula uma brecha para aplicações como monitoramento de cidadãos.

Para quem usa ChatGPT no Brasil, o ponto é concreto: a mesma empresa que fornece o assistente do dia a dia está cada vez mais integrada ao aparato militar dos EUA, e as regras que limitam esse uso dependem da legislação de outro país.

O debate da porta giratória

Gwanhoo Lee, professor da American University, em Washington, vê a chegada de Driscoll como mais um passo da OpenAI rumo aos órgãos de governo. Ele aponta o risco da chamada porta giratória: quando ex-autoridades vão trabalhar para fornecedores, a lisura das compras públicas fica sob suspeita. Na visão dele, contratos militares deveriam ser decididos pela qualidade técnica do produto, e não por contatos entre executivos e gestores.

A OpenAI respondeu que todos os seus acordos cumprem a legislação aplicável e que Driscoll, assim como outros contratados vindos do governo, vai seguir as regras que restringem a atuação de ex-servidores federais.



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