Os óculos inteligentes deixaram de ser curiosidade. Um levantamento da Counterpoint Research aponta que, de janeiro a junho de 2026, o volume de óculos com IA enviados ao varejo no mundo foi 263% maior que no mesmo período de 2025 — mesmo com a polêmica sobre gente sendo filmada sem saber, que já levou a investigações e restrições em vários países.
Quem puxa a fila é a Meta. Entre os modelos sem tela, a categoria dos Ray-Ban Meta, a empresa ficou com 94% das remessas, com alta de 260% em volume. Xiaomi e Alibaba aparecem com 1% cada, e todo o resto divide 4%. A segunda geração dos óculos feitos com a EssilorLuxottica foi o motor: a dona da Ray-Ban diz ter vendido mais de 7 milhões de unidades em 2025 e quer chegar a 10 milhões por ano de capacidade até o fim de 2026.

O mapa das vendas é bem concentrado: a América do Norte ficou com metade das remessas de óculos sem tela e a Europa Ocidental com 28%. A América Latina aparece com 3,8%, à frente de Índia e China. Já o nicho dos óculos com tela e óptica transparente cresceu ainda mais rápido, 449%, e ali a liderança é da chinesa Rokid (41%), com a Meta em segundo (37%) e a Even Realities em terceiro (11%).

A disputa deve esquentar. Google e Samsung trabalham em modelos próprios, e a Apple estaria preparando óculos sem tela para 2027, focados em câmera, áudio e Siri. A Counterpoint aposta que a próxima onda será de óculos “agentivos”, que agem sozinhos conforme o contexto, e de formatos que contornem a questão da privacidade, como modelos só com áudio ou câmeras usadas para entender o ambiente, não para gravar. No Brasil, os Ray-Ban Meta já são vendidos oficialmente e são a porta de entrada da categoria.
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