A NVIDIA decidiu recorrer ao passado para resolver um problema do presente. Segundo informações da indústria, a fabricante retomou a produção da GeForce RTX 3060 de 12 GB, uma placa lançada lá em 2021, como resposta direta à crise de memórias que vem pressionando todo o mercado de hardware. A ideia, à primeira vista contraintuitiva, faz sentido quando se olha para a raiz do problema.
O estopim é a escassez de memória. Com as empresas de inteligência artificial consumindo capacidade de fabricação em ritmo voraz, os fornecedores redirecionaram prioridades e a oferta de chips GDDR7 — usados nas placas mais recentes — minguou, fazendo os preços dispararem. A RTX 3060, por ser de uma geração anterior, utiliza a mais barata e abundante GDDR6, o que a torna viável de produzir em um momento em que os modelos novos ficaram caros e difíceis de encontrar. Na prática, a NVIDIA está tapando um buraco que ela mesma ajudou a criar ao esvaziar o segmento intermediário.
Tecnicamente, nada muda: a placa mantém os 12 GB de GDDR6 com barramento de 192 bits e a arquitetura Ampere fabricada em 8 nm. Não se trata de uma GPU de ponta, mas a quantidade generosa de memória de vídeo a mantém relevante para jogos em 1080p e até para algumas cargas de trabalho que exigem VRAM, algo que conquistou a fama de “placa custo-benefício” da geração. Parceiros de montagem teriam recebido um novo lote de chips para recomeçar a produção.
Para o jogador brasileiro, a notícia mexe com um ponto sensível: o preço das placas de vídeo por aqui sempre foi elevado, e a crise de memórias só piorou o cenário. O retorno de um modelo mais barato de fabricar pode aliviar a pressão sobre a faixa de entrada e intermediária, embora o relançamento tenha sido reportado primeiro para o mercado chinês. Resta acompanhar se as marcas vão trazer essa “ressurreição” ao Brasil e a que custo — em um momento em que cada gigabyte de memória virou artigo disputado.