A Nvidia vai comprar US$ 3 bilhões em ações da Meta, cerca de R$ 16 bilhões no câmbio de hoje. O aporte veio junto com a ampliação do acordo técnico entre as duas, anunciada na segunda-feira (26), que agora tem como alvo os agentes de IA baseados no Muse, a família de modelos da Meta.
A data pesa. No domingo (25), a dona do Facebook, do Instagram e do WhatsApp revelou que quer levantar US$ 97,5 bilhões (aproximadamente R$ 521 bilhões) vendendo ações. É a maior captação já feita pela empresa de Mark Zuckerberg, e o destino do dinheiro é conhecido: data centers e chips para inteligência artificial. Na prática, a Nvidia vira acionista de um cliente que vai gastar boa parte desse caixa comprando hardware da própria Nvidia.
O que muda no acordo
O Muse já roda em GPUs da Nvidia. O assistente pessoal da Meta construído sobre esses modelos estreou em setembro e executa tarefas no lugar do usuário: lê e-mails, marca compromissos, faz compras e comanda aplicativos de aparelhos conectados. A nova fase da parceria quer arrancar mais desempenho dessas ferramentas, tanto no treinamento quanto na hora de gerar respostas (a inferência), e baixar o custo total da operação.
Para isso, a Meta recebe mais capacidade de computação, incluindo os sistemas Vera Rubin e os processadores Vera, que a Nvidia projeta para cargas de agentes com foco em desempenho por watt. Na rede, a Meta vai adotar o Ethernet Spectrum-X e o BlueField-4, que aumentam a vazão de dados entre servidores. As empresas também falam em trabalhar juntas no framework OpenShell e no Nvidia Sentry, dois projetos voltados a proteger a distribuição de software e a vigiar o que os agentes autônomos fazem.
O que disseram os chefes
Jensen Huang, CEO da Nvidia, descreveu os agentes como uma troca na maneira de usar o computador: em vez de abrir e operar cada app, a pessoa entrega a tarefa a um programa que entende o objetivo e usa ferramentas por conta própria. Zuckerberg disse que o acordo deve ajudar a levar o Muse a uma base de usuários bem maior do que a atual.
Por que importa por aqui
Um agente que mexe em e-mail, agenda e cartão de crédito consome muito processamento, e esse custo decide por quanto tempo um recurso fica preso a poucos países ou a um plano pago. Chips mais eficientes e rede mais rápida são o que a Meta precisa para escalar o Muse em mercados como o Brasil, onde WhatsApp e Instagram têm uso massivo. A parte de monitoramento também conta: um assistente com acesso às suas compras precisa de alguém de olho no que ele faz.
Minha leitura: o cheque de US$ 3 bilhões é pequeno perto dos US$ 97,5 bilhões que a Meta quer captar, mas garante à Nvidia lugar de destaque na lista de compras da empresa. As duas companhias não divulgaram prazo de entrega dos sistemas Vera Rubin à Meta nem quando o assistente Muse chega ao Brasil.
