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Nvidia: CEO critica empresas que culpam a IA pelas demissões em massa

Jensen Huang, CEO da Nvidia, durante entrevista sobre inteligência artificial e mercado de trabalho

Em meio à enxurrada de anúncios de demissões na indústria de tecnologia, Jensen Huang, presidente-executivo da Nvidia, resolveu apontar o dedo para um hábito que considera desonesto: o de transformar a inteligência artificial no bode expiatório dos cortes de pessoal. Em entrevista recente, o executivo questionou a própria cronologia do argumento. “A IA acabou de chegar, como já está causando perda de empregos?”, provocou, sugerindo que a tecnologia ainda não está madura o suficiente para justificar reestruturações dessa escala.

O recado de Huang é direto e atinge boa parte do setor. Para ele, atribuir as demissões à IA virou um recurso de marketing corporativo — “uma forma de parecer inteligente”, nas palavras dele, prática que diz detestar. O argumento do CEO é que muitos desses cortes têm raízes bem mais antigas e menos sofisticadas: contratações em excesso feitas em períodos de euforia, estruturas inchadas, custos elevados e gestão mal calibrada. Culpar a tecnologia seria uma maneira conveniente de desviar a conversa dessas decisões.

O pano de fundo ajuda a entender o desabafo. Nos últimos meses, grandes empresas de tecnologia justificaram reduções de quadro citando avanços em automação e IA, enquanto ex-funcionários e analistas apontavam que o verdadeiro motivo eram as contratações exageradas feitas durante a pandemia. Há ainda a pressão dos custos altíssimos de infraestrutura e de chips — ironicamente, um mercado em que a própria Nvidia é protagonista. Não por acaso, nomes de peso da área, como Demis Hassabis, do Google DeepMind, também já classificaram esse tipo de justificativa como “falta de imaginação”.

Mais do que uma crítica pontual, a fala de Huang toca em um ponto sensível para quem acompanha o avanço da automação com receio: a diferença entre o impacto real da IA no trabalho e o uso retórico da tecnologia. O executivo defende uma leitura de longo prazo, em que empresas mais produtivas crescem e voltam a contratar. “Estamos assustando as pessoas, e isso é irresponsável”, resumiu — uma frase que serve tanto de provocação aos colegas de mercado quanto de alerta para o debate público sobre o futuro dos empregos.



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