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Nvidia: EUA suspeitam que Jensen Huang foi alvo de espionagem chinesa

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Nvidia: EUA suspeitam que Jensen Huang foi alvo de espionagem chinesa

Agentes de inteligência dos Estados Unidos investigam se Jensen Huang, CEO da Nvidia, serviu de fonte involuntária para uma operação de espionagem a serviço de Pequim. A suspeita foi publicada pelo The New York Times nesta quinta-feira (29) e gira em torno de Alice Huang, executiva da Megaspeed, operadora de data centers com sede em Singapura. Apesar do sobrenome, os dois não são parentes.

Quem é a executiva investigada

Alice Huang, que também usa o nome Huang Le, entrou no radar da inteligência americana depois de ser ligada a um esquema de contrabando de GPUs da Nvidia para a China. Desde então, segue vigiada. Fontes ouvidas pelo jornal sem identificação afirmam que os investigadores chegaram a uma conclusão: ela atuava como espiã e passava ao governo chinês informações comerciais obtidas no contato frequente com o CEO, enquanto a Megaspeed fazia encomendas à fabricante.

O relato vai além da empresa. Donald Trump teria recebido o alerta sobre o caso cerca de um ano atrás e decidido não agir, para não atrapalhar os negócios da Nvidia nem criar atrito com a China. A relação direta entre Huang e o presidente americano também aparece na investigação como motivo de preocupação.

O que dizem os envolvidos

A Nvidia nega qualquer irregularidade. Um porta-voz disse ao jornal que as conversas entre os dois executivos foram normais e que a Megaspeed só teve acesso a dados comerciais de rotina, sem efeito sobre a segurança nacional dos EUA. A Megaspeed abriu uma apuração interna e promete entregar informações às autoridades americanas.

A embaixada chinesa em Washington reagiu com dureza e classificou as acusações como “difamações e calúnias infundadas”. Alice Huang não se manifestou. Segundo a reportagem, as compras de GPUs da Nvidia pela Megaspeed não foram interrompidas, mas a executiva teria diminuído sua participação no dia a dia da empresa.

Por que o caso pesa

A Nvidia fornece a maior parte dos chips usados para treinar modelos de IA, e Washington trata esse hardware como ativo estratégico, com limites à venda das versões mais avançadas para a China. Um vazamento de dados comerciais a partir do próprio CEO atinge justamente esse ponto. Para quem acompanha o setor no Brasil, o efeito prático costuma vir depois: cada nova rodada de restrição dos EUA mexe na oferta global de chips para data centers, mercado em que empresas brasileiras também compram. Na minha leitura, o episódio dá argumento a quem defende controles mais rígidos sobre revendedores na Ásia.

O caso se soma a outras disputas recentes envolvendo semicondutores e a China, como a acusação da Samsung de que a fabricante chinesa CXMT usou tecnologia roubada para produzir memória DRAM. Até agora, CIA, NSA e Casa Branca não comentaram a investigação sobre Jensen Huang.



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