A Nvidia começou a mostrar o que pretende fazer com a Groq, empresa cujos ativos comprou por US$ 20 bilhões em dezembro. O sistema Groq 3 LPX entrou em produção plena e deve entrar em operação ainda em 2026: cada rack reúne 256 chips Groq 3 e entrega, segundo a fabricante, 3,4 mil tokens por segundo. Os primeiros vão para a nuvem da Nebius, dividindo espaço com os processadores Vera e as GPUs Rubin.

O ponto que a Nvidia faz questão de repetir é que isso não é uma troca de guarda. “Não se trata de substituir GPUs. Trata-se de usar o processador certo, com o preço certo, para a parte certa da carga de trabalho”, disse Dion Harris, diretor sênior da empresa. Na prática, o mercado de IA se dividiu em duas etapas com necessidades bem diferentes: treinar um modelo exige força bruta e memória, algo em que as GPUs dominam; responder ao usuário exige latência baixa, e é aí que os aceleradores da Groq foram desenhados para brilhar.
Essa distinção vem ganhando peso comercial. A OpenAI lançou um modo Ultrafast que promete 750 tokens por segundo, e a AMD respondeu ao movimento se aproximando da Cerebras. Um detalhe curioso da nova configuração é a cadeia de fabricação: os chips da Groq saem da Samsung, enquanto as GPUs da Nvidia continuam sendo produzidas pela TSMC — ou seja, a mesma empresa passa a depender de duas fundições concorrentes.
Para quem está no Brasil, o efeito não aparece na loja, e sim na conta. Velocidade de resposta e custo por token são exatamente os fatores que definem quanto uma assinatura de chatbot ou uma API de IA custa por aqui, e quanto tempo você espera olhando o cursor piscar. Se a aposta da Nvidia funcionar, a tendência é que respostas mais rápidas fiquem mais baratas — algo que importa especialmente para desenvolvedores e pequenas empresas que pagam em dólar por esse tipo de serviço.
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