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Nova York suspende a construcao de novos data centers por um ano

A corrida por inteligencia artificial acaba de esbarrar em uma barreira concreta. O estado de Nova York decidiu suspender por um ano a construcao de novos data centers de grande porte, em uma medida assinada pela governadora Kathy Hochul. Durante o periodo de suspensao, apenas empreendimentos que abriguem servidores e consumam ate 50 megawatts continuam autorizados, o que exclui exatamente a categoria hyperscale, aquelas instalacoes gigantescas que sustentam o treinamento e a operacao dos grandes modelos de IA.

A justificativa nao e economica, e sim ambiental. Data centers de IA sao famintos por dois recursos que nenhuma cidade tem de sobra: eletricidade e agua. Os servidores que rodam modelos generativos trabalham perto do limite e geram calor o tempo todo, o que obriga a uma refrigeracao continua. O problema deixou de ser abstrato quando as contas comecaram a aparecer: um estudo divulgado pela ONU projeta que, ate 2030, os data centers do planeta vao consumir um volume de agua equivalente ao de 1,3 bilhao de pessoas. Colocado nesses termos, um galpao de servidores deixa de ser so infraestrutura e passa a ser um vizinho que disputa recursos com a populacao.

O que torna a decisao relevante e o ineditismo. E a primeira vez que um estado americano trava a expansao desse tipo de instalacao, e a repercussao foi dividida. De um lado, ambientalistas e moradores que vinham reclamando de pressao sobre a rede eletrica e sobre o abastecimento. De outro, criticos que enxergam a medida como um tiro no pe, sob o argumento de que empurrar investimento em IA para fora do pais so favorece concorrentes internacionais, com a China citada como principal beneficiada. A suspensao tambem nao e um ponto final: a administracao estadual deve se reunir depois do prazo para definir regras permanentes, levando em conta impacto ambiental e consumo de agua e de energia.

Para quem acompanha tecnologia do Brasil, o caso interessa menos pelo efeito imediato e mais pelo precedente. O pais vem sendo apontado como um destino atraente para data centers justamente pelo que Nova York agora esta tentando proteger: matriz energetica majoritariamente renovavel e agua disponivel. Se ate um estado rico e com infraestrutura consolidada concluiu que precisa colocar limites antes de liberar novos projetos, a discussao sobre licenciamento, uso hidrico e contrapartidas para as cidades vizinhas tende a chegar por aqui na mesma velocidade em que os anuncios de investimento aparecem. A pergunta que fica nao e se a IA vai precisar de mais data centers, mas quem vai pagar a conta de agua e de luz deles.



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