
A Nintendo está travando uma queda de braço com os cambistas, e o Switch 2 virou o campo de batalha. A empresa vende no Japão uma versão consideravelmente mais barata do console — cerca de 49.980 ienes, ou aproximadamente US$ 343 — contra os US$ 450 cobrados na América do Norte. O problema é que, com o iene desvalorizado, esse preço camarada virou um convite à revenda internacional, e a Nintendo resolveu fechar as brechas.
A solução foi tornar o modelo barato pouco atraente para quem não mora no Japão. Esse Switch 2 vem travado no idioma japonês, sem opção de mudança, e exige uma conta Nintendo registrada no país para acessar a eShop e funções online. Alguns jogos, inclusive, dependem das configurações de região do sistema para rodar corretamente. Na prática, é um console pensado para o mercado interno — e que dá bastante trabalho para usar fora dele.
Como se a trava de idioma não bastasse, a Nintendo reforçou o recado de forma pública. A empresa publicou avisos nas redes sociais e uma página de suporte detalhando as limitações do modelo japonês, deixando claro um ponto que costuma pegar o comprador desavisado: a garantia não cobre danos sofridos fora do país. Ou seja, quem importar e tiver algum problema fica na mão. É um desestímulo direto tanto ao consumidor estrangeiro quanto ao cambista que tenta lucrar na diferença cambial.
O detalhe curioso dessa história é que a estratégia tem um custo alto para a própria Nintendo. Analistas estimam que a empresa perde dinheiro em cada unidade do modelo japonês mais barato — prejuízo que passaria de 20 mil ienes por console — justamente para manter um preço acessível no mercado local. Manter esse equilíbrio só faz sentido se o aparelho ficar de fato no Japão; se vazar em massa para revenda lá fora, a conta não fecha. Para o jogador brasileiro, fica a lição: aquele Switch 2 japonês “baratinho” que aparece em sites de importação esconde travas e riscos que, na maioria dos casos, não compensam.