Quando se fala em Prada, a primeira imagem que vem à cabeça é a de passarelas e grifes de luxo — e não exatamente a da superfície da Lua. Mas é justamente para lá que a marca italiana mira em sua parceria com a Axiom Space: as duas empresas apresentaram em Nova York, no dia 7 de junho de 2026, o forro interno do AxEMU, o traje espacial de nova geração que vai vestir astronautas da NASA na volta da humanidade à Lua.
O componente revelado é o LCVG (sigla em inglês para “peça de resfriamento e ventilação por líquido”), uma espécie de segunda pele tecnológica. É ele que faz água fria circular pelo corpo do astronauta durante longas horas de atividade fora da nave, evitando o superaquecimento em um ambiente onde a temperatura é um dos maiores inimigos. O AxEMU completo é resultado de camadas que trabalham em conjunto: o forro interno de resfriamento, uma camada intermediária de pressurização e uma camada externa de proteção térmica e contra micrometeoritos.

A contribuição da Prada não é estética, e sim de engenharia. A grife acumula décadas de trabalho com materiais técnicos de alta performance — de roupas náuticas a equipamentos de montanha — e domínio na construção em múltiplas camadas com exigências extremas de durabilidade. No traje, ela assina os materiais e a montagem das partes que ficam em contato direto com o astronauta. Por fora, o visual segue a linha clássica dos trajes brancos e volumosos, ganhando apenas detalhes em vermelho e reforços cinza nos joelhos e cotovelos.

A expectativa é que o AxEMU seja usado na missão Artemis III, que pretende levar pessoas de volta à superfície lunar pela primeira vez desde 1972. Para o leitor que acompanha tecnologia, o caso é um bom exemplo de como a corrida espacial atual mistura agências, empresas privadas e até marcas de moda em projetos de engenharia de ponta — e de como o conhecimento sobre tecidos e materiais, tão associado ao consumo do dia a dia, pode acabar protegendo a vida de alguém a centenas de milhares de quilômetros da Terra.