A Nagoshi Studio acabou. O estúdio aberto por Toshihiro Nagoshi, o veterano da Sega que criou Yakuza, teve a dissolução registrada com data de 31 de outubro no Kanpo, o diário oficial do Japão. Fechou sem colocar um único jogo nas lojas. Gang of Dragon, o projeto que a equipe mostrou no The Game Awards 2025, agora não tem dono conhecido nem previsão de lançamento.
Nagoshi entrou na Sega em 1989 e é o principal nome por trás da série que o Ocidente hoje chama de Like a Dragon. Gang of Dragon seguia a mesma trilha: cidade grande, crime organizado e pancadaria na rua. O trailer chamou atenção também pelo protagonista, que seria interpretado por Ma Dong-seok, ator sul-coreano de Invasão Zumbi e de Os Eternos, da Marvel.
A conta que a NetEase não quis pagar
Quem bancava o estúdio era a NetEase. Em março de 2026, a Bloomberg revelou que a gigante chinesa tinha parado de financiar o projeto ao descobrir quanto ainda faltava: pelo menos ¥ 7 bilhões, algo perto de US$ 44,4 milhões, ou mais de R$ 230 milhões na conversão. Para um jogo que nem tinha data, a cifra pesou numa empresa que já vinha diminuindo seus investimentos em desenvolvimento fora da China.
Depois do corte, Nagoshi procurou outros investidores para assumir a operação. Nenhuma conversa deu certo. Segundo o GamesIndustry, a NetEase até topou deixar o time tocar o jogo por conta própria, com uma condição: a equipe teria de arcar com os gastos para manter a marca e os ativos do projeto. Sem dinheiro novo entrando, essa saída nunca saiu do papel, e o encerramento veio cerca de sete meses depois da notícia da Bloomberg.
Um padrão na saída da NetEase do Ocidente
A Nagoshi Studio entra numa lista que só cresce. A NetEase passou anos montando e comprando equipes fora da China e agora desfaz boa parte delas. Jar of Sparks, do ex-Xbox Jerry Hook, e Worlds Untold, de Mac Walters, roteirista de Mass Effect, já tinham fechado, assim como Bad Brain, FPC e T-Minus. No Japão, a Ouka Studio, que fez Visions of Mana, encerrou as atividades em 2024.
A exceção é a Grasshopper Manufacture. O estúdio de Goichi Suda, o Suda51, desfez o acordo com a chinesa no mês de setembro e segue funcionando sozinho. É o único caso recente em que a separação não terminou em portas fechadas.
Para quem esperava um herdeiro espiritual de Yakuza, o cenário é ruim. Sem uma empresa disposta a pagar a diferença e sem a marca protegida, a chance mais realista é que Gang of Dragon nunca chegue aos consoles. Até agora, nenhuma companhia anunciou ter ficado com os direitos do jogo, e Nagoshi não falou publicamente sobre o que fará a seguir.
