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Conar manda a Motorola parar de somar RAM Boost à memória RAM nos anúncios

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Conar manda a Motorola parar de somar RAM Boost à memória RAM nos anúncios

A Motorola vai ter de mudar a forma como mostra a memória dos seus celulares no Brasil. Na sessão desta quinta-feira (24), as câmaras do Conselho de Ética do Conar votaram, sem nenhum voto contrário, para que a fabricante deixe de apresentar como um único número a soma da RAM física com o RAM Boost, a memória virtual que ela usa em quase toda a linha. A mudança vale para anúncios na internet e em pontos de venda físicos.

O problema é conhecido de quem já comparou fichas técnicas. Em vários modelos, o destaque principal da página fala em “até 24 GB de RAM”, e só numa linha menor, logo abaixo, aparece a divisão real. No Motorola Edge 70 Pro, esses 24 GB são 12 GB de memória física mais 12 GB emprestados do armazenamento. No Moto G86, a proporção é ainda mais desequilibrada: 8 GB reais e 16 GB virtuais.

Página oficial do Motorola Edge 70 Pro com o destaque de até 24 GB de RAM e a divisão entre RAM física e RAM Boost em letra menor

Por que a conta não fecha

Memória virtual não é invenção da Motorola, e o recurso tem utilidade: quando a RAM enche, o sistema passa a guardar dados de apps em segundo plano num pedaço reservado do armazenamento, em vez de fechá-los. O ponto é que o armazenamento, mesmo nos chips UFS mais rápidos, fica muito atrás da RAM em velocidade. Um aparelho com 8 GB físicos e 16 GB virtuais não se comporta como um com 24 GB de verdade, e em celulares de entrada o uso intenso desse espaço pode até deixar o sistema mais lento.

Nem todos os anúncios da marca seguem a mesma lógica. No Moto G47 e no Edge 70, por exemplo, o número em destaque já é o da memória física, com o adicional virtual citado à parte. Na seção de ficha técnica, a empresa também separa os dois valores, e as notas de rodapé avisam que o RAM Boost não equivale a RAM física. Para o Conar, porém, o destaque somado é suficiente para confundir, e a decisão se apoia no artigo 27 do Código Brasileiro de Autorregulamentação Publicitária, que exige descrição verdadeira do produto e proíbe apresentação que induza o consumidor a erro.

Anúncio do Moto Edge 70 com 8 GB de RAM em destaque e os 16 GB de RAM Boost citados em linha separada

O que muda para quem vai comprar

Vale lembrar o alcance da decisão: o Conar é uma entidade de autorregulamentação do mercado publicitário, não um órgão do governo. Ele não multa, mas recomenda a alteração ou a retirada de peças, e as marcas costumam acatar. A Motorola ainda pode recorrer e, até a publicação desta nota, não havia comentado o caso.

Na prática, o caso serve de lembrete para qualquer compra de celular, não só da Motorola: várias fabricantes usam o mesmo artifício com nomes diferentes (“RAM estendida”, “RAM virtual”, “Memory Extension”). Na hora de comparar, olhe o valor de memória física, que é o que de fato determina quantos apps ficam abertos com fluidez. Até os títulos dos próprios anúncios no varejo seguem no formato somado, como mostram os modelos abaixo.

Onde comprar:

Motorola Edge 70 Pro 5G 256 GB (12 GB de RAM física) Oferta · Amazon Motorola Edge 70 Pro 5G 256 GB (12 GB de RAM física) Ver oferta → Motorola Moto G86 5G 256 GB (8 GB de RAM física) Oferta · Amazon Motorola Moto G86 5G 256 GB (8 GB de RAM física) Ver oferta → Motorola Edge 70 Fusion 5G 256 GB (8 GB de RAM física) Oferta · Amazon Motorola Edge 70 Fusion 5G 256 GB (8 GB de RAM física) Ver oferta →


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