A Microsoft abriu o ano fiscal de 2027 com números acima do que Wall Street esperava. No balanço do trimestre de julho a setembro, divulgado na quarta-feira (28), a empresa registrou receita total de US$ 92,28 bilhões (cerca de R$ 494 bilhões) e lucro ajustado de US$ 4,89 por ação. O motor foi o Azure, a plataforma de nuvem da companhia, que cresceu 48% e faturou US$ 33,17 bilhões (R$ 177 bilhões) no período.
O fluxo de caixa livre chegou a US$ 18,6 bilhões (R$ 99 bilhões), bem acima das projeções do mercado. A reação veio rápido: as ações subiram mais de 3% no pregão estendido, logo após a publicação dos números.
Gastar menos e vender mais
O dado mais curioso do relatório está na coluna de despesas. A Microsoft investiu US$ 45,2 bilhões (R$ 241 bilhões) em capex, que inclui data centers, servidores e chips, contra uma projeção interna de US$ 50 bilhões. Ou seja, gastou quase US$ 5 bilhões a menos do que planejava e ainda assim acelerou a receita da nuvem.
Parte da explicação está numa mudança comercial conduzida por Satya Nadella, CEO da empresa. A Microsoft passou a vender pacotes de IA mais baratos para clientes corporativos que travavam projetos por causa do custo de implementação. Com a porta de entrada mais barata, mais empresas começaram a rodar modelos dentro do Azure, e a conta aparece agora no faturamento.
Esse resultado responde a uma pergunta que investidores repetem há dois anos: quando os bilhões gastos em IA vão virar receita? No caso da Microsoft, o trimestre sugere que a resposta é agora. A pressão sobre o setor continua alta, já que as grandes empresas de tecnologia devem somar mais de US$ 700 bilhões (R$ 3,7 trilhões) em gastos com data centers, hardware e energia para treinar e rodar modelos.
Disputa no topo
Com a alta, a Microsoft segue como a terceira empresa mais valiosa do mundo. A Alphabet, dona do Google, vem logo atrás e briga pelo mesmo cliente corporativo com o Google Cloud e os modelos Gemini. A Meta, que gasta pesado em infraestrutura de IA mas não vende nuvem a terceiros, aparece na décima posição do ranking.
Para quem está no Brasil, o desempenho do Azure tem efeito prático. A empresa anunciou em 2024 um investimento de R$ 14,7 bilhões em nuvem e IA no país ao longo de três anos, e a região de data centers em São Paulo atende bancos, varejistas e órgãos públicos que usam ferramentas como o Copilot e o Azure OpenAI. Um trimestre forte reduz o risco de cortes nesses planos e reforça o argumento interno para ampliar a capacidade local.
O próximo balanço da Microsoft, referente ao trimestre de outubro a dezembro, deve sair no fim de janeiro de 2027, quando será possível ver se o ritmo de 48% no Azure se sustenta.
