Quem está esperando a RAM baratear para montar ou ampliar o PC recebeu um recado direto de uma das três maiores fabricantes do mundo. Na conferência de resultados do ano fiscal de 2026, o CEO da Micron, Sanjay Mehrotra, disse que a escassez de memória vai piorar. Nas palavras dele, a empresa enxerga a demanda acima da oferta em 2027 e em 2028, com o setor ainda mais apertado do que neste ano, e não sabe dizer quando o mercado volta ao equilíbrio.
O motivo é o mesmo de 2026: os data centers de inteligência artificial. O que a Micron vai fabricar em 2027 já tem comprador quase na totalidade, antes mesmo de sair da linha, e a fila é puxada por servidores de IA que consomem DRAM, memória HBM e SSD em escala. Sobra menos para o consumidor comum, e o que sobra sai mais caro. É o efeito que já aparece no preço de pentes como o Corsair Vengeance DDR5 de 32 GB e em celulares e consoles; a Sony, por exemplo, já citou a crise de memória ao falar da data do PS6.

Para a Micron, a falta é ótima para o caixa. A empresa informou receita de US$ 54,25 bilhões no quarto trimestre fiscal e US$ 133 bilhões no ano, com lucro de US$ 85 bilhões, alta de 895%. Parte desse dinheiro vai para expansão: são US$ 25 bilhões de investimento previstos só no primeiro semestre do próximo ano fiscal, com fábricas novas entrando em operação em 2028. A própria Micron avisa que essas linhas não aliviam o mercado de imediato, e que a HBM dos aceleradores de IA deve continuar disputada.
Na prática, para quem está no Brasil, o cenário é de preço alto de RAM e SSD por pelo menos mais dois anos, somado ao dólar. Se o upgrade de memória já é necessário, a projeção da própria fabricante não dá motivo para esperar.
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