A chinesa MG Motor vai passar a montar carros elétricos no Brasil. A montadora anunciou um investimento de R$ 400 milhões para produzir veículos na PACE (Planta Automotiva do Ceará), em Horizonte, na região metropolitana de Fortaleza — com os primeiros carros saindo da linha ainda em 2026. O movimento marca mais um capítulo da forte expansão das marcas chinesas no mercado nacional de eletrificados.
Os dois modelos que estreiam a operação são o MG4 Urban, um hatch compacto, e o MG S5, um SUV, ambos totalmente elétricos. A produção será feita a partir de kits SKD (Semi Knocked Down) importados da China, em que boa parte da montagem final acontece já em território brasileiro. A expectativa da empresa é fabricar cerca de 50 mil veículos ao longo dos próximos quatro anos, gerando em torno de 600 empregos diretos e indiretos na região.

Por trás da decisão há um cálculo econômico claro. Montar os carros no Ceará ajuda a MG a escapar do Imposto de Importação de 35% que voltou a incidir sobre elétricos trazidos prontos de fora — uma alíquota que vinha sendo retomada gradualmente pelo governo para estimular a indústria local. Produzindo por aqui, a marca consegue oferecer preços mais competitivos e ganha fôlego para brigar com rivais como BYD e GWM, que também investem pesado em fábricas no país.
Para o consumidor brasileiro, a notícia é boa em mais de um sentido. Além da geração de empregos e do reforço da cadeia automotiva nacional, a tendência é que a chegada de mais linhas de produção locais ajude a pressionar os preços dos carros elétricos para baixo e a ampliar a oferta de modelos. O Brasil ainda engatinha na adoção de veículos a bateria — em grande parte por causa do custo e da infraestrutura de recarga —, mas movimentos como o da MG empurram o mercado na direção certa. Resta acompanhar como os valores finais e a rede de assistência vão se comportar quando o MG4 Urban e o MG S5 começarem a circular pelas ruas.