A Meta abriu mais uma frente na corrida da inteligência artificial, desta vez mirando a criação de jogos casuais. A empresa começou a distribuir o Pocket, um aplicativo que permite montar minijogos e conteúdos interativos apenas descrevendo em texto o que se deseja — a IA cuida do resto. A proposta é clara: derrubar a barreira técnica e deixar que qualquer pessoa, sem uma linha de código, produza pequenas experiências digitais.
No Pocket, cada criação é chamada de “gizmo”. O usuário escreve um comando, a inteligência artificial gera a experiência interativa e o resultado pode ser compartilhado com outras pessoas, que por sua vez conseguem interagir, remixar e aprimorar o que foi feito. Os gizmos suportam uma variedade de comandos físicos e sensoriais: toques, deslizes, arrastar itens pela tela, chacoalhar o smartphone, reprodução de áudio e até o uso da câmera e do microfone do aparelho.

A tecnologia não surgiu do nada dentro da Meta. Ela é fruto da contratação, no início de 2026, da equipe da startup Atma Sciences, responsável por uma plataforma batizada de Gizmo — o que explica inclusive o nome dado às criações. É mais um caso do movimento conhecido como “acqui-hire”, em que gigantes de tecnologia absorvem times inteiros de startups menores para acelerar o desenvolvimento de produtos próprios de IA.
Há, porém, um detalhe que merece atenção do usuário brasileiro atento à privacidade. Para funcionar, o Pocket exige uma conta Meta, e a empresa deixa claro que os dados gerados nas interações com os gizmos alimentam o treinamento de sua inteligência artificial. Ou seja, cada jogo criado e cada toque na tela também servem para tornar os modelos da companhia mais espertos — uma troca cada vez mais comum nos serviços gratuitos de IA.
Por ora, o alcance é limitado. O Pocket está disponível apenas para Android, restrito a alguns países, e ainda em fase de experimentação, sem um lançamento oficial com estardalhaço. A aposta dialoga com uma tendência maior do setor, de plataformas que prometem transformar linguagem natural em software funcional. Se vingar, o formato pode popularizar a criação de joguinhos do mesmo jeito que os filtros de realidade aumentada se espalharam pelas redes sociais — desta vez, com a IA no comando.