A Meta anunciou nesta segunda-feira (21) o Petal, um cabo submarino que vai atravessar o Atlântico entre os Estados Unidos e a França, num trajeto de cerca de 7.000 km. A promessa é inédita para uma ligação entre continentes: 1 petabit por segundo de capacidade, ou mil terabits — a empresa diz que é o maior salto de capacidade numa única geração de sistema transoceânico.
O truque está na fibra. Em vez de fibras comuns, com um núcleo cada, o Petal usa fibra multicore com dois núcleos, de forma que 24 pares físicos se comportam como 48. O material é sílica sintética ultrapura, para perder menos sinal ao longo do caminho, e a espessura continua nos 125 micrômetros padrão da indústria. Segundo a Meta, isso dobra a capacidade dos cabos atuais sem aumentar na mesma proporção o consumo de energia ou a infraestrutura.
Para dar escala ao número, a empresa compara: 1 Pbps seria banda suficiente para 75% da população mundial ouvir música ao mesmo tempo. O projeto reúne a japonesa NEC, que fabrica os sistemas submarinos, a Sumitomo Electric, uma das maiores produtoras de fibra óptica, e a operadora francesa Orange, responsável pela chegada do cabo à costa. A Meta não divulgou data de ativação nem custo.
Pode parecer distante, mas é por esses cabos que passa perto de 99% do tráfego intercontinental da internet — do vídeo que você assiste num servidor americano à mensagem de WhatsApp para alguém no exterior. As big techs viraram as principais financiadoras dessa infraestrutura para dar conta da demanda por nuvem e IA, e a própria Meta já financiou rotas no Atlântico Sul, como o Malbec, que liga Argentina e Brasil. Um cabo com o dobro de capacidade na mesma fibra também é sinal de que a próxima geração de rotas, inclusive as que chegam aqui, deve seguir o mesmo caminho.
