A Meta terá de dar explicações a especialistas independentes da ONU sobre o comportamento de Instagram, Facebook e WhatsApp durante a campanha eleitoral brasileira. O grupo quer saber por que as três plataformas teriam reduzido o alcance de políticos de esquerda enquanto a disputa presidencial estava em andamento.
A cobrança chega poucos dias depois de a própria empresa admitir, de maneira formal, que a Meta AI favoreceu candidatos de direita no período eleitoral. Até então, o problema estava restrito à assistente de inteligência artificial. Agora, a suspeita alcança o funcionamento das redes sociais como um todo.
O que os especialistas querem saber
A lista de pontos levantados é longa. Inclui suspensões temporárias de perfis, números de visualizações de vídeos que não batiam, publicações com distribuição limitada, queda de alcance orgânico e diferenças no impulsionamento pago. A geração de imagens pela Meta AI, disponível dentro do Instagram, do WhatsApp e do Facebook, também entrou no pedido.
Segundo os especialistas, há informações, algumas vindas de funcionários da própria Meta, indicando que contas ligadas a um dos lados da corrida presidencial foram atingidas de forma desproporcional. O grupo não acusa a empresa de agir de propósito. Pede que ela mostre como seus sistemas tomaram essas decisões.
O argumento central é direto: quem perde alcance perde espaço no debate e a capacidade de mobilizar apoiadores. Para os especialistas, algoritmos, sistemas de IA e decisões de moderação não podem virar árbitros invisíveis da discussão política.
Por que isso pesa no Brasil
Poucos países dependem tanto dos aplicativos da Meta quanto o Brasil. O WhatsApp é o principal canal de conversa de boa parte da população, e Instagram e Facebook concentram a maior parte da comunicação digital de candidatos, partidos e militantes. Uma mudança silenciosa na forma como esses serviços distribuem conteúdo afeta milhões de eleitores ao mesmo tempo.
O caso também expõe uma limitação prática. Um candidato que vê seus números caírem não tem como saber se o motivo é o desinteresse do público, uma regra de moderação ou um ajuste no algoritmo. Só a empresa tem esses dados, e é exatamente isso que a ONU está pedindo para ver.
A admissão sobre a Meta AI já tinha aberto um precedente desconfortável para a companhia. Se as explicações sobre as redes sociais não convencerem, a pressão tende a migrar para autoridades brasileiras, que têm poder de punir. Os especialistas da ONU podem cobrar e expor, mas não aplicar sanções.
A Meta ainda não respondeu publicamente ao pedido sobre Instagram, Facebook e WhatsApp, e não há prazo divulgado para que entregue as explicações.
