O maior problema dos óculos com câmera nunca foi a tecnologia — foi o consentimento de quem aparece no vídeo. A Meta começou a distribuir em 27 de agosto uma atualização que endurece exatamente esse ponto nos Ray-Ban Meta: o sistema de detecção de adulteração ficou mais sensível e, se identificar que o LED indicador foi coberto ou alterado fisicamente, a gravação é interrompida e a câmera, desativada.
O LED é a única defesa das pessoas ao redor. Ele acende sempre que os óculos capturam foto ou vídeo, e existe justamente para que ninguém seja filmado sem perceber. O problema é que a solução para burlar essa proteção sempre foi ridícula de simples: um pedaço de fita, tinta preta ou uma modificação caseira bastavam. Havia até serviços especializados em “desligar” a luz — negócios que, segundo a empresa, já foram encerrados depois das medidas anteriores.

A pressão sobre a Meta vem de várias frentes. No Brasil, o Idec (Instituto de Defesa do Consumidor) e a organização Coding Rights levaram à ANPD uma denúncia sobre possíveis violações de privacidade ligadas aos óculos. Em paralelo, a empresa vinha removendo em massa publicações de “pick up artists” e de pegadinhas gravadas com o dispositivo, além de bloquear hashtags e termos de busca associados a esse tipo de conteúdo — em 21 de agosto, retirou do ar um anúncio de uma empresa que vendia justamente a modificação do LED.
Para quem usa ou pensa em comprar, a atualização é uma boa notícia com uma ressalva importante: ela reduz o risco de o aparelho virar ferramenta de gravação clandestina, mas não elimina o desconforto social de conviver com uma câmera na armação. Nos Estados Unidos e na Europa, os órgãos de proteção de dados já discutem regras específicas para esses dispositivos, e a discussão brasileira caminha na mesma direção. Enquanto isso, quem carrega os óculos continua sendo o responsável legal pelo que grava — LED aceso ou não.
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