A Meta anunciou nesta quinta-feira (6) os Spaces, um recurso do assistente Muse que permite ao usuário montar pequenos aplicativos dentro da própria conversa com a IA. A diferença para um pedido comum ao chatbot está no tempo: o Space fica ativo, busca informações de forma contínua e dispara uma notificação quando o parâmetro definido pelo usuário é alcançado.
Na prática, a pessoa descreve o que quer acompanhar e o Muse cria a ferramenta. Os exemplos da Meta incluem uma central de compras que vigia o preço de produtos, um rastreador de lançamentos musicais, jogos de perguntas sobre temas escolhidos pelo usuário e um painel de estudos com datas de entrega de trabalhos e calendário de provas.

Conexão com outros aplicativos
Os Spaces podem puxar dados de serviços externos. O caso citado pela empresa é o Spotify: com a conta conectada, o rastreador de lançamentos sabe quais artistas o usuário escuta e avisa quando sai um álbum ou single novo deles. A Meta não publicou a lista completa de serviços compatíveis.
O recurso segue a linha de agentes autônomos que a Meta vem empurrando no Muse ao longo do ano. Antes dos Spaces, a empresa já tinha colocado no aplicativo um modo de conversa por voz em tempo real, com avatares que mexem os lábios em sincronia com a fala e fazem expressões faciais. Esse modo usa as tecnologias Muse Realtime Voice e Muse Realtime Avatar, tem centenas de estilos de voz para escolher e aceita que o usuário interrompa a IA no meio da resposta para mudar o rumo do papo. A Meta trata esse modo como preparação para levar o assistente aos seus óculos inteligentes.
Onde o recurso pode ser útil
O monitor de preços é o caso mais óbvio para quem compra eletrônicos no Brasil, onde o valor de um mesmo celular ou notebook oscila bastante entre uma semana e outra. Há uma ressalva: agentes de compra da Meta já tiveram atrito com varejistas. A Amazon bloqueou o Muse quando ele passou a fazer compras sozinho na loja, e não está claro se um Space de monitoramento consegue ler preços de todas as lojas que o usuário quiser acompanhar.
O painel escolar tem apelo mais direto para estudantes, que hoje dividem prazos entre aplicativos de agenda, grupos de mensagem e o sistema da faculdade. Concentrar isso num lugar com alertas automáticos resolve um problema concreto. Se vale entregar esses dados à Meta é outra conversa; a empresa teve, este ano, uma falha que deixou 6,8 mil conversas compartilhadas do Muse abertas a qualquer pessoa com o link.
A Meta não informou se os Spaces já estão liberados para contas no Brasil nem se o recurso terá limite de uso para quem não paga. O Muse chegou ao país junto com a Meta AI, então a liberação local depende de a empresa estender o recurso para além do lançamento inicial.
