A Meta desativou temporariamente a opção de gerar links públicos para conversas com o Muse, seu agente pessoal de IA. A decisão veio depois que a empresa de segurança Claroc mostrou que cerca de 6.800 desses links podiam ser abertos por pessoas que nunca os receberam. O caso foi divulgado no domingo (18), e a Meta diz que está revendo a forma como esses endereços podem ser localizados.
Onde estava o erro
Cada link de compartilhamento do Muse usava o domínio cf.metaaiusercontent.com e levava, no próprio endereço, um trecho legível sobre o assunto do chat, seguido de um código aleatório longo. Em tese, esse código impediria que alguém adivinhasse a página. O ponto fraco era o trecho legível. Ele ficava na parte do endereço que passa pelos servidores de DNS, e serviços de DNS passivo guardam esse histórico de consultas e permitem pesquisá-lo. Com uma única busca nesse tipo de base, a Claroc levantou milhares de endereços válidos. Ninguém precisou quebrar senha ou invadir conta: bastava abrir a página.
A Claroc batizou o fenômeno de “Compartilhamentos Fantasma”, páginas que abrem para quem não foi convidado e que qualquer curioso consegue localizar sozinho.
O que ficou exposto
O conteúdo encontrado vai muito além de perguntas banais. Entre os exemplos listados pelos pesquisadores estão anotações para uma reunião sigilosa em um laboratório de IA de ponta, um relatório interno de desempenho de um investidor e a escala anual de férias de uma empresa com o nome de cada funcionário. Em outra conversa, um alerta de fraude mostrava parte de um número de conta bancária e o valor da transação.
Segundo a Claroc, a Meta foi avisada em 8 de outubro, pelo programa de recompensa por bugs da empresa e por mensagens no LinkedIn a funcionários da companhia. Nenhum dos canais respondeu. A suspensão do recurso só veio depois da divulgação do relatório, dez dias após o primeiro contato.
Por que isso importa
O Muse é recente e popular. O agente executa tarefas em nome do usuário e chegou rapidamente ao topo dos apps mais baixados no iPhone nos Estados Unidos. Também acumula tropeços: a Meta já tinha mudado os termos do serviço após outra falha, que expunha a máquina virtual usada pelo agente. E o problema de links de chatbot achados por estranhos se repete no setor. Em 2025, a OpenAI removeu do ChatGPT a opção que deixava conversas compartilhadas aparecerem em buscadores.
Quem gerou link de uma conversa com o Muse deve presumir que ela pode ter sido lida por terceiros. Link de compartilhamento de chatbot é, na prática, um documento público com endereço difícil de adivinhar. Dado bancário, nome de colega e plano de negócio não deveriam estar nele, em nenhum assistente.
O compartilhamento por link do Muse segue desativado, e a Meta não deu prazo para a volta do recurso nem detalhou quais mudanças fará nos endereços.
