A Meta, dona do Facebook e do Instagram, entrou em uma das brigas judiciais mais caras da sua história. A empresa de Mark Zuckerberg pode ser condenada a pagar até US$ 1,4 trilhão — algo perto de R$ 7,2 trilhões na conversão atual — em uma série de processos que a acusam de projetar suas redes sociais para viciar deliberadamente crianças e adolescentes.
As ações são movidas por quatro estados americanos: Colorado, Califórnia, Kentucky e Nova Jérsei. A tese central é que a Meta conhecia os efeitos nocivos de recursos como a rolagem infinita, as notificações e os algoritmos de recomendação sobre a saúde mental dos mais jovens, mas manteve esses mecanismos porque eles aumentam o tempo de uso e, consequentemente, a receita com publicidade. Os argumentos começaram a ser apresentados na segunda-feira (6), e o próximo julgamento está marcado para agosto de 2026.
Para se ter ideia do tamanho do risco, o valor em jogo supera o próprio valor de mercado da companhia, avaliada em cerca de US$ 1,52 trilhão. A Meta, como era de se esperar, rebate as acusações e afirma que as sanções pretendidas “não têm precedente na história da aplicação das normas de defesa do consumidor” nos Estados Unidos — ou seja, considera a punição desproporcional e sem base legal sólida.
O caso não é isolado e ajuda a explicar por que o tema virou prioridade regulatória em vários países. Investigações semelhantes correm na União Europeia, e plataformas como TikTok, YouTube e Snapchat também são alvo de discussões sobre o impacto de suas ferramentas no público infantojuvenil. Para o Brasil, onde tramitam debates sobre regulação de redes e proteção de menores no ambiente digital, o desfecho desses julgamentos americanos deve servir de referência — tanto para o que as empresas podem ser obrigadas a mudar quanto para o tamanho da conta que passa a estar em jogo.