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Meta AI diz em conversa que empresa favorece Flávio Bolsonaro; Meta nega interferência

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Meta AI diz em conversa que empresa favorece Flávio Bolsonaro; Meta nega interferência

Uma resposta da Meta AI virou assunto em plena eleição brasileira. Laura Morgado, estudante de pós-graduação da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), publicou no Instagram uma troca de mensagens em que perguntou ao assistente por que a Meta favoreceria o candidato da direita, Flávio Bolsonaro. O chatbot não contestou a premissa. Respondeu que a empresa teria “interesse político e econômico” na vitória dele, porque o candidato representaria a continuidade do alinhamento do Brasil com os Estados Unidos de Donald Trump.

A publicação circulou nesta semana e chegou à imprensa independente de fora do país. A Meta nega qualquer interferência política no funcionamento do assistente.

O que a resposta prova e o que não prova

O texto gerado pela Meta AI não é uma declaração da empresa. Modelos de linguagem produzem a sequência de palavras mais provável a partir da pergunta e do treinamento, e não têm acesso a decisões internas, reuniões ou estratégia comercial da companhia que os criou. Uma pergunta que já parte da ideia de que existe favorecimento tende a receber uma resposta que segue essa ideia. Pesquisadores chamam isso de bajulação do modelo: o chatbot concorda com o usuário em vez de corrigir a premissa.

Isso não torna o episódio irrelevante. Mostra que a Meta AI, perguntada sobre um candidato em período eleitoral, aceitou atribuir motivação política à própria dona e citou nomes de políticos sem nenhuma ressalva. Para uma ferramenta usada por milhões de pessoas, a falha está aí: em tema eleitoral, um assistente deveria recusar a premissa ou deixar claro que não sabe.

Por que o caso pesa mais no Brasil

A Meta AI está dentro do WhatsApp, do Instagram e do Facebook, os três aplicativos mais usados por brasileiros para conversar e se informar. Diferente de um chatbot que a pessoa precisa procurar e instalar, o assistente aparece na mesma tela em que circulam grupos de família e de bairro. Uma resposta como a publicada pela estudante pode ser copiada em captura de tela e repassada como se fosse confissão da empresa, sem o contexto de como foi obtida.

O Tribunal Superior Eleitoral regula o uso de inteligência artificial em propaganda eleitoral desde as eleições municipais de 2024, com exigência de aviso em conteúdo sintético e proibição de deepfakes. As regras miram campanhas e candidatos. Respostas espontâneas de assistentes de big techs ficam numa zona menos definida, e episódios como este tendem a pressionar por cobrança direta às plataformas.

Quem usa a Meta AI para tirar dúvida sobre candidatos deveria tratar a resposta como tratam um palpite de desconhecido. Propostas, histórico e prestações de contas estão nos sites oficiais do TSE e das próprias campanhas. Até a publicação deste texto, a Meta não havia detalhado se ajustou o comportamento do assistente para perguntas sobre as eleições de 2026.



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