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Mercedes-Benz devolve botões físicos após motoristas rejeitarem excesso de telas

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A Mercedes-Benz confirmou que está reintroduzindo botões e controles físicos em seus veículos — uma reversão direta da filosofia de design que dominou a indústria automotiva nos últimos anos e que apostava em substituir todo o painel de controle por grandes telas touchscreen. A decisão foi motivada por rejeição consistente dos motoristas, que reclamaram da interface exclusivamente digital.

A era das telas e seus problemas

A tendência de encher os painéis de carros com telas começou a ganhar força no início dos anos 2010, quando Tesla popularizou o conceito com o seu Model S, que trazia uma tela central de 17 polegadas no lugar de praticamente todos os botões. O sucesso da abordagem — ao menos em termos de impacto visual e cobertura de imprensa — levou outras montadoras a seguir o caminho.

Mercedes, Volkswagen, Volvo e diversas outras fabricantes lançaram modelos nos quais controles de climatização, volume do rádio, temperatura dos bancos e até o acionamento do pisca-aleta eram feitos por telas sensíveis ao toque ou por superfícies capacitivas sem feedback tátil. O resultado, na prática, foi frustrante para muitos motoristas: ajustar o ar-condicionado enquanto dirige exige olhar para a tela, navegar por menus e confirmar a seleção — algo que com um simples botão físico era feito sem tirar os olhos da estrada.

Segurança e usabilidade como argumento

Estudos de ergonomia e segurança no trânsito já apontavam o problema há algum tempo. Uma pesquisa do Swedish National Road and Transport Research Institute concluiu que interfaces touchscreen em carros resultam em tempos de reação até duas vezes maiores do que em painéis com botões físicos durante tarefas simples como ajustar o volume. No Reino Unido, a organização Which? identificou que alguns modelos com interfaces totalmente digitais exigiam até 13 segundos de interação para concluir uma tarefa básica — tempo suficiente para percorrer mais de 300 metros a 90 km/h sem que o motorista preste atenção na estrada.

A pressão regulatória também aumentou. Autoridades europeias de segurança passaram a incluir critérios de distração do motorista nas avaliações de segurança veicular, o que elevou o custo de manter interfaces exclusivamente digitais.

Uma tendência que se inverte

A Mercedes não está sozinha na reviravolta. A Volkswagen já havia recebido críticas intensas pelo painel quase todo digital do Golf 8, lançado em 2020, e desde então revisou o design em versões subsequentes para reintroduzir alguns controles físicos. A Hyundai e a Kia também passaram a incluir botões dedicados para funções de uso frequente nos seus modelos mais recentes, após feedback negativo de clientes e jornalistas especializados.

O movimento sugere que a indústria automotiva está encontrando um equilíbrio mais maduro entre tecnologia e usabilidade: telas fazem sentido para navegação, configurações avançadas e entretenimento, mas controles de uso frequente — ar-condicionado, volume, modo de condução — funcionam melhor com botões físicos que o motorista pode acionar sem precisar olhar.

Para quem já tem um carro com central multimídia moderna, há como melhorar a experiência sem depender apenas das telas:

Acessórios para melhorar sua central no carro:

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