
A febre da inteligência artificial está enchendo os cofres das fabricantes de memória — e esvaziando o bolso de quem quer montar ou turbinar um PC. As empresas do setor de chips NAND faturaram cerca de US$ 46 bilhões (aproximadamente R$ 230 bilhões) no primeiro trimestre de 2026, o dobro do registrado no trimestre anterior e impressionantes 3,5 vezes mais que no mesmo período de 2025. O motor por trás desse salto tem nome e sobrenome: a corrida por infraestrutura de IA.
O detalhe que explica a alta nos preços está na destinação dessa produção. Hoje, cerca de 43% dos chips NAND vendidos vão para SSDs profissionais, usados em data centers e servidores de IA — e a expectativa é que essa fatia chegue a 60% até o fim do ano. Ou seja: quanto mais a indústria prioriza os pedidos bilionários das gigantes de tecnologia, menos sobra para o mercado de consumo, justamente o que empurra o preço de SSDs e pentes de RAM para cima nas lojas brasileiras.
No tabuleiro das fabricantes, a Samsung segue na liderança, mas viu sua participação recuar de 31% para 29% em um ano. SK Hynix e Kioxia disputam a vice-liderança, enquanto a chinesa YMTC chama atenção com um crescimento de 90% em participação e valorização de 250% no comparativo anual. A indústria de memória RAM, em paralelo, somou mais de R$ 500 bilhões no mesmo intervalo — outro recorde puxado pela mesma onda.
Para o consumidor brasileiro, a notícia é agridoce. Quem pretende comprar um SSD novo, ampliar a RAM do notebook ou montar uma máquina vai encontrar valores mais salgados, e a tendência é que continuem assim por um bom tempo. Com previsões apontando preços elevados até 2027, vale a pena pesquisar promoções e considerar capacidades que atendam à real necessidade — sem pagar caro por excesso que talvez não vá usar.
Componentes para garantir antes de subirem mais: