Uma pesquisa da empresa de segurança Zimperium, publicada pela equipe zLabs, mapeou o tamanho do problema de fraude bancária móvel na América Latina — e o número impressiona: são 21 famílias de malware ativas contra 68 aplicativos financeiros em 12 países da região. O relatório saiu no fim de agosto de 2026.

O detalhe que muda o jogo é o uso de inteligência artificial não para invadir o celular, mas para industrializar a parte mais trabalhosa do golpe: a fachada. Segundo os pesquisadores, ferramentas automatizadas ajudam a montar páginas falsas, simular mensagens de aparência legítima e criar telas invisíveis sobrepostas ao aplicativo original. É o velho ataque de overlay — a tela falsa que captura a senha enquanto o usuário acredita estar no app do banco —, só que produzido em escala e com muito menos erro de português, que sempre foi o principal sinal de alerta para a vítima.
Entre as pragas listadas, o TsarBot lidera em alcance, com 49 aplicativos afetados e recursos de gravação de tela e bloqueio fraudulento do aparelho. O CopyBara aparece em seguida, com 48 plataformas e abordagem por ligação telefônica falsa. O Hook atinge 34 apps com controle remoto do dispositivo, o zAnubis registra digitação em 23 e o Hydra desvia códigos SMS de confirmação em 14.

Para o leitor brasileiro, a parte mais relevante da lista é a que fala a nossa língua. O PixPirate manipula transferências Pix em 12 aplicativos, o BrasDex monitora 8 ferramentas com automação de transferências, e ainda há GoatRat (7 plataformas) e PixBankBot (6). Não é coincidência: o Pix é instantâneo e irreversível, o que faz do celular o alvo mais valioso do país — bem mais do que o internet banking no computador.
A defesa, no fim, continua sendo comportamental. Praticamente todas essas famílias dependem de o usuário instalar o app fora da loja oficial ou conceder permissões pesadas, especialmente as de acessibilidade e de captura de tela, que são o que permite ao malware ler e clicar por você. Desconfiar de APK recebido por mensagem, revisar quais aplicativos têm acessibilidade ativada e manter o Android atualizado resolvem a maior parte dos casos. E nenhum banco pede para instalar um aplicativo de “segurança” por link.