Luiz Inácio Lula da Silva, reeleito presidente no domingo (25), abriu o discurso da vitória com um recado às empresas de tecnologia. Ao lado de apoiadores, disse que a campanha precisou superar uma “intromissão” estrangeira feita por meio das redes sociais e afirmou que o governo vai regular essas plataformas.
O presidente não citou empresas. Comparou delitos cometidos na internet aos do mundo físico e disse que devem receber o mesmo tratamento. Também reclamou de companhias gigantes que faturam bilhões no Brasil, segundo ele sem recolher impostos aqui, e que tentariam influenciar o resultado das urnas.
O caso Meta
O alvo implícito tem nome. Durante a campanha, o PT acusou a Meta de derrubar o alcance das publicações de Lula no Instagram e no Facebook. O partido também apontou um suposto viés da Meta AI nas respostas sobre ele e sobre Flávio Bolsonaro (PL), que terminou em segundo lugar. A Meta respondeu em nota: admitiu que os problemas existiram, mas atribuiu cada um deles a erro técnico, sem intenção política.
Congresso mais difícil
Regular redes sociais é uma bandeira antiga de Lula, e o mandato que termina não conseguiu aprovar uma lei sobre o tema. O cenário agora é pior: o próximo Congresso terá uma bancada de oposição maior. Por isso, a aposta mais realista é que o governo pressione as empresas por caminhos que dependem menos de votação, como fiscalização, cobrança sobre moderação de conteúdo e tributação. Para quem usa as redes, isso tende a aparecer primeiro em disputas com órgãos reguladores e no Judiciário, e não numa lei nova.
IA nacional e data centers
O discurso também tocou em inteligência artificial. Lula prometeu reforçar matemática e engenharia na educação para que o país dependa menos de modelos desenvolvidos na China e nos Estados Unidos, e voltou a defender a criação de uma IA brasileira. Na mesma linha, quer atrair mais data centers, com uma fatia da capacidade de processamento reservada para dados do Brasil.
A ideia de um modelo nacional esbarra num problema prático: treinar IA de ponta exige chips e energia em escala que o país ainda não tem. A promessa de data centers ataca justamente essa parte, e a oferta de energia renovável, que Lula também citou, é o argumento que o Brasil costuma usar para disputar esses investimentos.
Houve ainda acenos menores. A comunicação digital deve ganhar peso no governo, com mais vídeos e posts gravados pelo próprio presidente. Na saúde, ele prometeu ampliar as UTIs inteligentes, programa do Ministério da Saúde iniciado no meio deste ano.
Nenhum projeto de lei, prazo ou valor foi apresentado no discurso. As medidas contra as big techs e o plano de IA ainda precisam sair do palanque e virar proposta formal no novo mandato.
