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Justiça do DF condena Apple, Sony e mais 9 a pagar R$ 298 milhões por loot boxes

Uma decisão inédita da Justiça brasileira colocou as loot boxes no banco dos réus. A 1ª Vara da Infância e da Juventude do Distrito Federal condenou 11 das maiores empresas de tecnologia e games do mundo a pagar, juntas, R$ 298 milhões em indenização por danos morais coletivos. O motivo é o uso das chamadas caixas de recompensa — itens aleatórios comprados com dinheiro real dentro de jogos — e o impacto que elas teriam sobre crianças e adolescentes.

A lista de condenadas é um verdadeiro who’s who da indústria. A Apple, a Microsoft e a Tencent receberam as maiores penas, de R$ 50 milhões cada. Em seguida vêm Google e Sony (R$ 40 milhões cada), Electronic Arts (R$ 20 milhões), Riot Games (R$ 15 milhões), Ubisoft e Valve/Steam (R$ 10 milhões cada), Konami (R$ 8 milhões) e Nintendo (R$ 5 milhões). A soma dessas multas é o que chega ao montante histórico de quase R$ 300 milhões.

Loot boxes em jogos como os da Steam estão no centro da decisão

O ponto central da sentença é técnico, mas fácil de entender: as loot boxes funcionariam com base em “reforço intermitente”, o mesmo princípio psicológico explorado por máquinas caça-níqueis e jogos de azar. A recompensa imprevisível estimularia compras repetidas, criando um ciclo que pode ser especialmente nocivo para o público mais jovem. A decisão se alinha ao ECA Digital, conhecido como Lei Felca, que passou a tratar de forma mais rígida a exposição de menores de 18 anos a esse tipo de mecânica dentro dos games.

Caixas de recompensa em jogos online também são citadas na ação

Para o jogador brasileiro, a decisão é um marco que pode mudar a forma como os games são vendidos por aqui — de battle royales gratuitos a franquias esportivas anuais, as loot boxes estão por toda parte. Ainda assim, é preciso cautela antes de cantar vitória: as empresas têm o direito de recorrer, e o pagamento só acontece quando a sentença transitar em julgado, o que pode levar anos. Mesmo assim, a condenação envia um recado claro à indústria de que o modelo de monetização baseado em “abrir caixinhas” passou a ter um custo jurídico no Brasil — e que a proteção de crianças e adolescentes entrou de vez no radar dos tribunais.



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