A LG publicou no último sábado (12) um posicionamento longo para responder a uma sequência de vídeos que, nas últimas semanas, acusaram suas smart TVs OLED de “ouvir” o que é falado na sala. A mensagem central da fabricante é direta: os televisores não gravam nem transmitem conversas continuamente, e o episódio, na leitura dela, gerou “compreensões errôneas” sobre como o aparelho funciona.
Pelo que a empresa descreve, o microfone só entra em ação quando o usuário quer: é preciso dizer a palavra-chave de ativação ou apertar o botão de IA no controle remoto. A detecção dessa palavra aconteceria localmente, sem envio de áudio para servidores, e a conversão de som em texto só começaria depois do gatilho. O resultado desse reconhecimento, segundo a nota, pode ser usado para dar suporte a funções de voz, mas não é armazenado nem repassado adiante.
Há um detalhe que a própria LG admite e que merece leitura atenta: ao executar um comando falado, o sistema pode produzir registros de reconhecimento de voz e logs técnicos. A empresa qualifica isso como algo restrito a interações específicas e insiste que não indica gravação contínua — mas é a confirmação de que arquivos de texto derivados de fala realmente existem dentro do aparelho.
O que o Gamers Nexus mediu
Tudo começou na semana passada, com uma investigação do Gamers Nexus: o canal juntou-se a pesquisadores de cibersegurança e divulgou o que encontrou ao instrumentar um televisor da marca. As alegações foram pesadas: o aparelho estaria captando o áudio do ambiente pelos microfones, salvando o conteúdo em texto e enviando esses dados para fora — inclusive fora dos momentos em que a palavra de comando é dita e mesmo com a TV em modo de espera ou desligada.
O levantamento também apontou que os televisores varrem redes Wi-Fi próximas constantemente — algo que a LG classifica como comportamento comum a qualquer eletrônico conectado — e que, com o ACR ativo, o sistema cria amostras de áudio e vídeo para identificar o que está sendo assistido. Em um segundo vídeo, publicado depois da nota da fabricante, o canal chamou a resposta de “evasiva e manipuladora”, argumentando que ela não apresenta evidência concreta contra os testes.
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O ACR é o ponto que o dono da TV controla
Entre voz e publicidade, o recurso que mais afeta o dia a dia talvez nem seja o microfone. O Reconhecimento Automático de Conteúdo identifica o que passa na tela — inclusive de fontes externas, como console e streaming — para alimentar recomendações e segmentação de anúncios. A LG afirma que ele é opcional, vem desligado de fábrica e depende de consentimento prévio, e que as informações coletadas servem para análise de audiência sem capturar tela ou voz.
Para quem tem uma TV da marca em casa, a recomendação prática independe de quem está certo nessa discussão: vale abrir o menu de configurações, procurar a seção de privacidade e conferir, um a um, quais consentimentos estão ativos. Muita gente marca tudo na configuração inicial do aparelho sem ler — e é justamente ali que ACR e coleta de dados de uso são autorizados.
Não é a primeira vez que a sul-coreana se vê nesse tipo de conversa. A empresa já havia sido criticada recentemente por exibir anúncios em produtos que o consumidor comprou e pagou integralmente, uma prática que vem se espalhando pela indústria de TVs conectadas e que tende a render novas discussões nos próximos meses.
