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Vírus bancário brasileiro Lampion vira uma das maiores ameaças a empresas em Portugal

Alerta de malware bancário em computador corporativo

Um malware nascido no Brasil se transformou em um dos maiores problemas de segurança corporativa em Portugal. Trata-se do Lampion, trojan bancário identificado pela primeira vez em 2019 e que, segundo levantamento da empresa de segurança Acronis, concentra hoje 94,6% das suas detecções recentes em território português. Batizado em referência às lanternas de papel, o código nunca deixou de circular — apenas foi trocando de disfarce ao longo dos anos.

O funcionamento segue uma receita conhecida do cibercrime brasileiro, mas executada com paciência. Tudo começa com um e-mail de phishing que finge vir da autoridade tributária portuguesa ou, nas ondas mais recentes, de empresas privadas — inclusive despachantes de documentação automotiva. O anexo é um arquivo compactado com scripts que, uma vez executados, disparam o download da carga real. E aqui está o truque mais engenhoso: o arquivo baixado é inflado artificialmente até cerca de 750 MB, tamanho que faz boa parte dos antivírus simplesmente pular a análise para não consumir processamento à toa.

Cadeia de infecção do trojan bancário em múltiplas etapas

Com o computador comprometido, entra em cena um componente que os pesquisadores chamam de “jangadeiro” — o módulo responsável por sobrepor páginas falsas de bancos às janelas legítimas do navegador. O usuário acredita estar digitando os dados no portal do próprio banco, mas está entregando login, senha e códigos direto para o operador do golpe. É a mesma lógica de fraude por sobreposição que já assombra o internet banking brasileiro há anos, exportada para outro mercado que fala a mesma língua.

O contexto ajuda a explicar o estrago. De acordo com dados da consultoria de risco Marsh, 2026 foi o primeiro ano em 12 em que ataques cibernéticos apareceram como o principal risco apontado por empresas portuguesas — à frente de crises econômicas e de fatores regulatórios. Um trojan que fala português, entende a burocracia local e sabe imitar tanto o fisco quanto fornecedores privados encontra um terreno especialmente fértil nesse cenário.

Exemplo de e-mail de phishing usado nas campanhas

Para o leitor brasileiro, a notícia funciona menos como alerta geográfico e mais como lembrete de método. O Lampion é uma criação daqui, e as mesmas técnicas — anexo compactado, script disfarçado de documento, tela falsa de banco — continuam entre as mais usadas contra empresas e pessoas físicas no Brasil. Manter o sistema e o antivírus atualizados ajuda, mas a barreira que realmente funciona é comportamental: não abrir anexos de cobranças inesperadas, conferir o remetente real do e-mail e nunca executar arquivos de script recebidos por mensagem, por mais oficial que a mensagem pareça.



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