Está circulando em grupos de mensagens a captura de uma oferta que parece boa demais: iPhone 18 Pro de 512 GB por R$ 9.599 no Mercado Livre, para contas selecionadas. Quem abre o anúncio até o fim descobre que o número existe — mas não é o preço do celular. É o preço de alugá-lo por dois anos.
Como a oferta funciona de verdade
O anúncio é de um plano de assinatura de 24 meses, não de venda. O valor aparece parcelado em 24 vezes no cartão de crédito Mercado Pago, e o contrato tem um segundo pagamento embutido: para ficar com o aparelho em definitivo ao fim do prazo, o assinante precisa desembolsar mais R$ 4.114,09. Não quiser — ou não puder — pagar? O celular volta para a empresa.
Há ainda um detalhe que morde o limite do cartão desde o primeiro dia: a plataforma reserva esse valor residual no cartão de crédito durante todo o contrato. Ou seja, o assinante fica com mais de R$ 4 mil bloqueados no limite por dois anos, mesmo sem ter usado esse dinheiro.

A conta que o desconto esconde
Somando 24 parcelas mais o residual, o total passa de R$ 13,7 mil para um iPhone 18 Pro de 512 GB. O mesmo anúncio, na aba de compra definitiva, mostra o aparelho por pouco mais de R$ 12 mil no Pix. Ou seja: o caminho da “promoção de 30%” custa mais caro do que simplesmente comprar o telefone, se a intenção for ficar com ele.
A modalidade não é fraude, e vale dizer isso com clareza: é um produto financeiro legítimo, com as condições descritas na própria página, e faz sentido para um perfil específico — quem troca de celular a cada geração, não se importa em nunca ser dono do aparelho e prefere não lidar com a revenda do usado. O problema é o enquadramento. Um valor riscado e um selo de 30% de desconto na vitrine empurram o leitor para a leitura errada, e o contrato só aparece depois do clique.
O padrão que está se formando
Esse tipo de plano vem se espalhando no varejo brasileiro de eletrônicos, e segue a mesma lógica que já naturalizou a assinatura em software, música e vídeo: baixar a parcela mensal visível e alongar o compromisso. Com celular topo de linha passando dos R$ 10 mil no país, a prestação menor virou o argumento de venda mais poderoso que existe — e é justamente aí que o leitor precisa fazer a conta do total, não da mensalidade.
A regra prática é simples: em qualquer oferta de aparelho caro, procure as palavras “plano”, “assinatura” e “valor residual” antes de olhar o preço grande. Se elas estiverem lá, o número da vitrine não é o custo do produto. E se a intenção é ser dono do celular no fim, compare sempre com o preço de compra à vista da mesma configuração.
Comprando de verdade, sem plano de assinatura:
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