Fabricar o topo de linha da Apple nunca foi barato, mas a proxima geracao pode elevar essa conta a um novo patamar. Uma estimativa da Counterpoint Research aponta que o custo de producao do iPhone 18 Pro Max deve ficar cerca de US$ 300 mais alto do que o do iPhone 17 Pro Max, um salto expressivo para um unico ciclo de produto. O numero ainda e uma projecao de mercado, e nao um dado oficial, mas ajuda a explicar por que os proximos iPhones podem chegar as lojas mais caros.
O grande vilao dessa alta atende por um nome que virou assunto recorrente no setor: memoria. Sozinha, a memoria flash NAND responderia por cerca de US$ 250 do aumento, segundo a consultoria. O motivo esta na disputa global por chips de memoria, cuja demanda disparou com a corrida da inteligencia artificial e os data centers. Quando gigantes de IA compram memoria em volumes gigantescos, sobra menos para o mercado de consumo e o preco de todo mundo sobe, dos SSDs de PC aos modulos que vao dentro de um celular.

Alem da memoria, entram na conta o novo processador fabricado em litografia de 2 nm, apontado como o chip A20 Pro, e um conjunto de cameras com sensores mais sofisticados, incluindo avancos em abertura variavel. A configuracao usada como referencia na estimativa e generosa: 12 GB de RAM e 1 TB de armazenamento. Nem tudo puxa o custo para cima, no entanto. A Counterpoint aponta que a tela deve ficar um pouco mais barata de produzir, compensando parte da alta em outros pontos.
Para o consumidor brasileiro, o alerta e duplo. Primeiro porque o iPhone ja e um dos aparelhos mais caros do pais, com impostos de importacao que ampliam qualquer aumento vindo de fora. Segundo porque a crise das memorias nao afeta so a Apple: ela pressiona o preco de praticamente todo dispositivo com armazenamento e RAM, o que pode se refletir em celulares Android, notebooks e ate placas de video ao longo de 2026. A Apple, por sua vez, ja teria comecado a estudar precos diferentes por versao de armazenamento para segurar a margem sem espantar o comprador.
Vale reforcar que nada disso e definitivo. As estimativas partem de analistas com base na cadeia de fornecedores, e a estrategia final de preco so aparece no anuncio oficial, esperado para setembro de 2026. Ate la, o custo de fabricacao funciona como um termometro: se ele sobe tanto assim, dificilmente o preco de etiqueta ficara imune.
Atualização (agosto de 2026): um novo relatório da consultoria TrendForce reforça o cenário e detalha melhor de onde vem a pressão. Segundo os dados, o custo de produção do iPhone 18 Pro (na versão de 256 GB) deve subir cerca de 38% frente ao iPhone 17 Pro — um salto puxado quase inteiramente pela memória DRAM, cuja fatia na composição de custos do aparelho pulou de 10% para 34% em um único ciclo de produto. Em compensação, processador e tela perdem participação relativa no custo total, já que ficam mais baratos proporcionalmente enquanto a memória dispara.

A TrendForce projeta ainda que esse desequilíbrio deve se aprofundar: no primeiro semestre de 2027, a memória pode responder por 40% a 42% de todo o custo de fabricação do aparelho. A consultoria também alerta que o impacto é maior para o Android, já que fabricantes de linha de entrada e intermediária têm menos margem para absorver a alta sem repassar boa parte dela ao preço final — o que reforça o recado do início do texto: a crise das memórias é um problema do mercado inteiro, não só da Apple.
