Poucos dias depois do teste de durabilidade, o iPhone 18 Pro passou por um desmonte completo no canal JerryRigEverything — e o interior conta uma história diferente da que a ficha técnica sugere. As mudanças de engenharia são mais profundas do que a geração anterior indicava, e três delas explicam boa parte do desempenho que o aparelho vem mostrando em testes independentes.
Refrigeração: a mudança mais agressiva
Debaixo do conjunto principal está uma câmara de vapor cerca de três vezes maior que a do iPhone 17 Pro, construída por fora em aço inoxidável reciclado e, por dentro, com malha de cobre e água desionizada. Acima dela, uma escolha curiosa: a plataforma A20 Pro não usa pasta térmica líquida convencional, e sim um material térmico metálico levemente compressível para fazer contato com o dissipador.
É o tipo de decisão que só se toma quando o chip pede. Triplicar a área de dissipação num corpo que não cresceu significa que o gargalo do aparelho deixou de ser a bateria e passou a ser o calor.

Bateria, e a conta que o Brasil paga
O desmonte começou pela traseira, expondo a bobina de cobre que faz o carregamento sem fio de 25 W, ao lado do anel de ímãs do MagSafe. A bateria agora vem dentro de um invólucro de metal, fixada por um adesivo que solta quando recebe uma corrente elétrica fraca — solução de reparo que a Apple vem adotando gradualmente na linha.
E aqui entra a parte que interessa a quem compra no Brasil: são duas capacidades. A versão apenas eSIM leva 4.288 mAh; o modelo com chip físico, que é o vendido aqui e em outros países onde a conexão móvel ainda depende da peça, fica com 4.056 mAh. A bandeja do SIM custa pouco mais de 230 mAh de autonomia — uma diferença pequena no papel, mas que o usuário brasileiro paga sem ter escolha.
A câmera que abre e fecha de verdade
O módulo traseiro revela o mecanismo que virou o diferencial do aparelho na fotografia: a câmera principal de 48 MP cuja abertura varia de verdade. Lâminas minúsculas, acionadas por eletroímãs, abrem e fecham o diafragma, e o conjunto trabalha junto com a estabilização sensor-shift. É uma peça mecânica em movimento dentro do celular — e foi ela que ajudou a empurrar a pontuação do modelo no DXOMARK. Na frente, a câmera de 18 MP está integrada ao conjunto do Face ID.
Outro detalhe que só aparece abrindo o aparelho: o alto-falante superior é preenchido internamente por pequenas esferas plásticas, que controlam o movimento do ar e alteram a resposta acústica dentro de um espaço minúsculo.
O custo de errar a mão
O desmonte também lista o preço de cada tropeço fora da garantia: US$ 159 (cerca de R$ 818) pela tampa traseira de vidro, US$ 249 (cerca de R$ 1.280) pelo conjunto de câmeras e US$ 329 (cerca de R$ 1.692) pela tela ProMotion de 6,3 polegadas. São valores de referência dos EUA — no Brasil, com impostos e logística, a conta sobe.
O retrato geral é de um aparelho em que a Apple mexeu em refrigeração, bateria, fotografia e áudio ao mesmo tempo. No papel, é a geração mais reprojetada por dentro em anos. Se isso se traduz em uso prático é o que os próximos meses vão dizer.
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