Depois de amargar a pior crise de sua história, a Intel deu um sinal claro de recuperação. A companhia reportou receita de US$ 16,1 bilhões (aproximadamente R$ 81 bilhões) no segundo trimestre de 2026, uma alta de 25% na comparação com o mesmo período do ano anterior — número que superou as projeções do mercado e animou os investidores.
O grande motor desse resultado foi a divisão de data centers e inteligência artificial, que sozinha cresceu 59% no trimestre. É uma reviravolta simbólica para uma empresa que vinha sendo deixada para trás justamente na corrida da IA, dominada pela Nvidia. A Intel também elevou sua projeção de faturamento para o próximo trimestre a US$ 16,8 bilhões (cerca de R$ 85 bilhões) e ampliou o investimento em infraestrutura (capex) de US$ 18 bilhões para US$ 20 bilhões (perto de R$ 101 bilhões), sinal de que aposta em capacidade de produção para os próximos anos.
O reflexo mais visível dessa guinada está no mercado financeiro: as ações da fabricante acumulam valorização superior a 140% desde o começo de 2026, cerca de 18 meses depois de a empresa mergulhar em sua fase mais difícil. Por trás da recuperação estão movimentos que vão além dos números — incluindo um aporte que deu ao governo americano uma fatia próxima de 10% da companhia e acordos estratégicos citados com nomes de peso da indústria de tecnologia.
Para o consumidor brasileiro, o recado indireto é positivo. Uma Intel mais saudável financeiramente significa mais fôlego para investir no desenvolvimento de novos processadores para PCs e notebooks, na expansão de sua divisão de fundição (que fabrica chips para terceiros) e na disputa por relevância no hardware de inteligência artificial. Em um mercado que vinha praticamente rendido à concorrência, a volta de um peso-pesado à briga tende a pressionar preços e acelerar a inovação — o que costuma ser bom para quem compra tecnologia.