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Intel prevê mercado de PCs fraco até pelo menos o meio de 2027 por causa da crise das memórias

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Intel prevê mercado de PCs fraco até pelo menos o meio de 2027 por causa da crise das memórias

A Intel avisou que o mercado de computadores pessoais não deve se recuperar tão cedo. Na divulgação do balanço do terceiro trimestre, na quinta-feira (29), a empresa afirmou que a desaceleração dos PCs vai continuar “pelo menos durante o primeiro semestre do próximo ano”. A causa principal é a falta de chips de memória, que encarece a montagem de qualquer máquina.

Duas Intels no mesmo balanço

Os números mostram uma empresa dividida. A receita total subiu 21% na comparação anual e chegou a US$ 16,5 bilhões. O lucro caiu 18%, para US$ 3,32 bilhões. A divisão Client Computing, que vende processadores para notebooks e desktops, faturou US$ 8,1 bilhões, 5% a menos que um ano antes. A de Data Center fez US$ 7,3 bilhões e cresceu 78%. Nesse ritmo, servidores devem passar a render mais que PCs nos próximos trimestres.

A própria Intel trata isso como oportunidade. Em nota, a empresa disse que a demanda pelas suas CPUs segue alta e citou a linha Xeon, voltada a servidores e workstations, como foco. É o caminho que a Nvidia trilhou nos últimos anos: priorizar a infraestrutura de inteligência artificial sem largar o produto de consumo. No varejo, a aposta mais recente são os Googlebooks, que têm versão com chip Intel.

Investidores não gostaram. As ações caíram no mesmo dia, e a projeção de receita para o quarto trimestre, de US$ 16 bilhões, ficou abaixo do que o mercado esperava. Pesou também a preocupação com o volume de gastos das fabricantes em IA, que vem corroendo margens em todo o setor.

Memória é o gargalo

O problema central está fora da Intel. Fabricantes de memória estão direcionando produção para data centers de IA, onde a margem é maior, e sobra menos para PCs e celulares. Quem produz esses chips é ainda mais pessimista que a Intel: a SK Hynix fala em desequilíbrio entre oferta e demanda até 2030, a Samsung aponta 2028 e a Micron diz que o quadro ainda vai piorar antes de melhorar.

O efeito já aparece na prateleira. Computadores estão mais caros e os modelos de entrada somem do catálogo, porque são justamente os que dão menos lucro às fabricantes quando o componente encarece. No Brasil, onde memória e processador são importados e cotados em dólar, esse repasse chega rápido ao preço final.

O que fazer se você precisa de um PC

Se a máquina atual ainda dá conta, a leitura do balanço sugere esperar: nem a Intel vê alívio antes do segundo semestre de 2027, e os fornecedores de memória falam em prazos mais longos. Se a troca for inevitável, priorizar configurações com mais RAM de fábrica tende a sair mais barato do que fazer upgrade depois, já que é esse o componente que mais subiu. A próxima atualização oficial da Intel sobre o mercado vem com o balanço do quarto trimestre, no início de 2027.

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