O Instagram está testando um formato de vídeo bem mais longo do que o público está acostumado a ver no app. Batizado de Features, o recurso permite publicar vídeos horizontais de até 90 minutos, pensados para entrevistas, podcasts e programas inteiros. O anúncio foi feito por Adam Mosseri, chefe do Instagram, em seu próprio perfil na rede.
O Brasil foi um dos primeiros lugares a receber a novidade. Um grupo restrito de criadores brasileiros já vinha usando o Features em caráter de teste, e agora a Meta está estendendo o experimento para os Estados Unidos. Não há previsão de quando o recurso chega a todos os usuários, nem aqui nem lá fora.
Como o Features funciona
Os vídeos longos aparecem no feed principal e na aba Explorar, ao lado de fotos e Reels. A peça que mais chama atenção é a integração com os próprios Reels: o criador pode publicar um corte curto como prévia e levar quem assistiu direto para a versão completa, sem sair do aplicativo. Hoje, esse caminho costuma terminar num link para o YouTube.
O limite de 90 minutos também não está fechado. A empresa diz que ainda avalia durações diferentes durante o teste, então o número pode mudar até um eventual lançamento amplo.
Uma ideia que Mosseri resistiu a aceitar
O próprio Mosseri admitiu que demorou a topar a ideia. Numa conversa em vídeo com Tessa Lyons, vice-presidente de produto do Instagram, ele contou que tinha medo de que apostar em vídeo longo afastasse o app da sua função original de conectar amigos. A mudança de posição mostra para onde a Meta quer levar a plataforma: disputar diretamente o tempo que o público passa no YouTube assistindo a conteúdo extenso.
Não é a primeira tentativa. Em 2018, o Instagram lançou o IGTV, um espaço separado para vídeos longos que nunca pegou e acabou desativado em 2022. A diferença agora está na distribuição: em vez de uma área à parte, os vídeos entram no feed e no Explorar, onde o algoritmo já entrega conteúdo para milhões de pessoas por dia.
O que falta para convencer criadores
A grande lacuna é o dinheiro. A Meta ainda não apresentou nenhum modelo de monetização para o Features, e é justamente a divisão de receita com anúncios que mantém podcasters e produtores de programas presos ao YouTube. Sem uma proposta de pagamento, o recurso tende a funcionar mais como vitrine extra do que como substituto: o criador replica o episódio no Instagram para alcançar quem não sai do app, mas continua faturando em outro lugar.
Para quem produz conteúdo no Brasil, o teste local é um bom sinal de que o país está entre as prioridades do recurso. Por enquanto, porém, o Features segue restrito a criadores selecionados, sem data de liberação geral e sem regras de monetização anunciadas.
