
O Instagram decidiu enfrentar um efeito colateral incômodo da popularização dos óculos inteligentes. Adam Mosseri, chefe da plataforma, confirmou que a rede social passará a remover conteúdos gravados com óculos inteligentes que envolvam assédio, constrangimento ou abordagens sem consentimento. A declaração mira diretamente um gênero de vídeo que se multiplicou nos últimos meses: criadores que usam a câmera discreta do Ray-Ban Meta para filmar pessoas em público, quase sempre mulheres, sem que elas saibam.
Nas palavras do executivo, a plataforma não vai tolerar quem publica material que “se aproveita das pessoas e as assedia”, em referência direta aos vídeos de abordagens de paquera que viralizaram. Segundo a Meta, duas contas com mais de 1 milhão de seguidores já foram desativadas por se especializarem nesse tipo de gravação — um recado de que a medida não ficará apenas no discurso.
O ponto sensível é técnico e ético ao mesmo tempo. Os óculos da Meta possuem uma câmera de alta resolução com um LED indicador de captura, mas na prática esse aviso nem sempre é perceptível para quem está sendo filmado. A empresa afirma que pretende desabilitar a câmera de qualquer usuário que tente cobrir ou burlar o LED, reconhecendo que a discrição do aparelho — vendida como comodidade — também abre espaço para abusos. O debate remete ao antigo Google Glass, que enfrentou resistência parecida há mais de uma década.
Para o usuário brasileiro, o episódio serve de alerta sobre um mercado em plena expansão: os óculos com câmera e assistente de voz estão cada vez mais baratos e acessíveis, inclusive em versões genéricas. Isso torna a discussão sobre privacidade e consentimento ainda mais urgente, já que a tecnologia que hoje mora em um Ray-Ban premium já chega a modelos de entrada vendidos por aqui.
Óculos inteligentes com câmera: