Uma ação de marketing do Instagram feita na porta de escolas de São Paulo virou caso de Ministério Público. Em 27 de agosto, o Instituto Alana, junto das organizações Ctrl+Z e Plataforma 12, protocolou denúncia no MP-SP contra a Meta por abordar alunos na saída das aulas para promover as Contas de Adolescentes, o pacote de restrições que a rede social aplica a perfis de menores de idade.
Segundo a denúncia, as abordagens aconteceram em frente a colégios particulares da capital — entre eles o Santa Cruz, o Oswald de Andrade e o Bandeirantes — sem autorização prévia das escolas nem consentimento dos responsáveis. A ação incluía distribuição de brindes com a marca do Instagram e questionários que, no entendimento das entidades, exploravam a falta de discernimento dos estudantes: em um dos episódios citados, um garoto de 11 anos participou de um quiz respondendo que o Instagram “mais protege crianças”.

O argumento jurídico se apoia em duas frentes conhecidas: o Código de Defesa do Consumidor, que trata como abusiva a publicidade dirigida a crianças, e o Estatuto da Criança e do Adolescente. Vale lembrar o pano de fundo — as Contas de Adolescentes foram criadas justamente como resposta à pressão regulatória global sobre o efeito das redes na saúde mental de menores. Transformar essa proteção em peça de marketing na porta da escola é o que as entidades enxergam como contradição.
Procurada, a Meta negou irregularidades e afirmou manter compromisso com a segurança dos jovens, citando as proteções padrão das Contas de Adolescentes. O caso agora depende da avaliação do MP-SP, que pode arquivar, abrir inquérito civil ou propor termo de ajustamento de conduta. Para pais e escolas brasileiras, o episódio serve de alerta prático: publicidade dirigida a criança e adolescente tem regra própria por aqui, e ação promocional em ambiente escolar — mesmo do lado de fora do portão — dificilmente passa despercebida.
