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Hyundai enfrenta greve de 39 mil trabalhadores contra robôs Atlas

Robô humanoide Atlas, da Boston Dynamics, movimentando caixas em um armazém

Um dos maiores sindicatos industriais da Coreia do Sul cruzou os braços nesta sexta-feira (17). O grupo, que representa mais de 39 mil trabalhadores da Hyundai, paralisou as atividades na fábrica de Ulsan depois de meses de negociação travada — as conversas se arrastam desde maio sem acordo. Na pauta, um item que pouco tempo atrás pareceria ficção científica: a chegada de robôs humanoides à linha de montagem.

As reivindicações clássicas continuam lá. O sindicato pede reajuste salarial, aumento dos bônus, a conversão do pagamento por hora em salário fixo e a elevação da idade de aposentadoria de 60 para 65 anos. Mas é o pano de fundo que dá outro peso à disputa: a Hyundai é dona da Boston Dynamics desde 2021 e pretende colocar a segunda geração do robô Atlas para trabalhar comercialmente a partir de 2028, começando pela fábrica do grupo no estado da Geórgia, nos Estados Unidos. Quem negocia idade de aposentadoria costuma olhar com desconfiança para um colega de turno que não se aposenta.

As especificações ajudam a entender por que o receio não é abstrato. O Atlas atual tem cerca de 1,90 m, 56 graus de liberdade de movimento e consegue carregar até 50 kg, com autonomia de aproximadamente 4 horas de bateria e tolerância a temperaturas de -20 °C a 40 °C. É um perfil desenhado justamente para tarefas repetitivas e pesadas de chão de fábrica — o tipo de função que sustenta boa parte dos empregos industriais bem remunerados na Coreia do Sul.

O caso interessa muito além de Ulsan. A automação industrial não é novidade — braços robóticos convivem com operários há décadas —, mas o humanoide muda a conversa porque promete ocupar postos pensados para o corpo humano, sem exigir que a fábrica inteira seja redesenhada. É a primeira vez que um sindicato desse porte transforma o tema em greve, e o desfecho da negociação em Ulsan deve virar referência para montadoras do mundo todo, inclusive as que operam no Brasil e já testam automação avançada em suas plantas.



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