A Hugging Face, conhecida por hospedar boa parte dos modelos de IA abertos do mundo, resolveu colocar inteligência artificial dentro de um pato. O Microduck é um robô bípede de 25 centímetros anunciado pela Pollen Robotics — a startup francesa comprada pela Hugging Face em 2025 — por US$ 399, algo em torno de R$ 2.059 na conversão direta, sem contar impostos e frete. A pré-venda já está aberta na loja da fabricante, com envios prometidos antes do Natal.
A ficha técnica é mais séria do que o formato sugere: câmera integrada, sensores LiDAR, duas unidades de medição inercial (IMU), motores, microfone, alto-falante e conectividade Bluetooth e Wi-Fi. Com isso, o bicho anda, corre, chuta bola, mexe a cabeça, anda de patins, agacha, se levanta sozinho depois de cair e ainda pega objetos de até 800 gramas com o bico.
O ponto não é a lista de truques, e sim quem eles atendem. Robôs de pesquisa com esse conjunto de sensores costumam custar dezenas de milhares de dólares, o que trava qualquer experimento fora de laboratórios grandes. Ao empacotar câmera, LiDAR e atuadores num corpo pequeno e vendê-lo pelo preço de um celular intermediário, a Hugging Face repete no hardware a estratégia que a tornou relevante no software: baratear o acesso e deixar a comunidade construir por cima. O alvo declarado é quem quer treinar comportamentos e testar aprendizado por reforço em hardware de verdade, onde o robô cai, escorrega e erra — coisas que nenhum simulador reproduz direito.
Para o público brasileiro, a conta prática é menos animadora. Não há venda oficial por aqui, e importar um aparelho de US$ 399 significa somar frete internacional, imposto de importação e ICMS, o que facilmente dobra o valor final. O interesse maior, no curto prazo, é indireto: quanto mais barata fica a robótica com IA embarcada, mais rápido esse tipo de plataforma aparece em universidades e cursos técnicos — e, depois, em produtos domésticos de preço acessível.
Robôs com IA à venda no Brasil:
