Depois de anos operando com uma mão amarrada nas costas fora da China, a Huawei está prestes a recuperar um pedaço importante do que perdeu. A fabricante deve anunciar a série Pura 90s na próxima terça-feira (14) e, com ela, o retorno de smartphones com conexão 5G ao mercado global — um movimento simbólico para uma empresa que ajudou a inventar essa tecnologia.
O contexto explica o tamanho da notícia. Em 2019, sanções comerciais dos Estados Unidos cortaram o acesso da Huawei a componentes essenciais, e a companhia foi obrigada a vender aparelhos apenas com 4,5G fora do território chinês, enquanto rivais avançavam com o 5G. Voltar a oferecer a conexão de quinta geração globalmente é, portanto, um sinal de que a empresa encontrou caminhos para contornar parte dessas restrições.
Segundo fontes ouvidas neste fim de semana, a linha global deve estrear com duas variantes: o Pura 90s Pro e o Pura 90s Pro Max. Documentos de homologação recentes indicam que o Pro Max seria o primeiro smartphone global da Huawei totalmente focado no 5G, com vazamentos apontando taxas de download superiores a 1.100 Mbps — o suficiente para garantir estabilidade e velocidade em redes modernas. Do lado do hardware, os modelos trariam tela OLED de até 6,9 polegadas, plataforma Kirin 9030S, câmera principal de 50 MP e bateria de 6.000 mAh.
Há ainda uma mudança de software que deve agradar. Os aparelhos globais devem chegar com a nova interface EMUI 16, baseada no Android 16, encerrando a era em que a Huawei ainda entregava celulares rodando sobre o já antigo Android 12. Por outro lado, o HarmonyOS não será oferecido ao público global desta vez, e o usuário continua dependendo de atalhos para instalar os serviços do Google — a herança mais persistente das sanções.
Para o consumidor brasileiro, a volta da Huawei ao 5G é mais interessante como termômetro do mercado do que como opção imediata de compra: a marca praticamente não vende smartphones por aqui desde as sanções, e a ausência nativa dos apps do Google continua sendo uma barreira relevante. Ainda assim, o retorno de uma das gigantes da telefonia à briga global tende a acirrar a concorrência — e mais concorrência, no fim, costuma beneficiar quem compra. A confirmação oficial vem na terça.