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Huawei apresenta Kirin 9050 Pro, chip de celular que a empresa diz ser livre de tecnologia dos EUA

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Huawei apresenta Kirin 9050 Pro, chip de celular que a empresa diz ser livre de tecnologia dos EUA

A Huawei escolheu esta quarta-feira (16) para apresentar o Kirin 9050 Pro, o processador que vai equipar sua próxima leva de celulares topo de linha. O detalhe que a própria empresa fez questão de destacar no palco não foi o clock nem a GPU, e sim a origem das peças: segundo a fabricante, o chip foi projetado sem qualquer tecnologia de origem norte-americana. Richard Yu, chefe da divisão de consumo, chamou o novo componente de o Kirin mais potente já construído.

Os números divulgados na apresentação apontam um salto de 42% no desempenho geral em relação ao Kirin 9020. Na comparação com o Kirin 9030 Pro, o ganho é de 24% em tarefas de núcleo único, 52% em cargas com vários núcleos e nada menos que 142% na renderização de gráficos. No processamento, a CPU LinxiCore chega a 3,1 GHz; nos gráficos, a GPU Maleoon traz ray tracing acelerado no próprio chip; e a inteligência artificial fica com a NPU Da Vinci, capaz de rodar, direto no aparelho, modelos de inteligência artificial com até 30 bilhões de parâmetros.

Empilhar em vez de encolher

Ilustração conceitual de duas camadas de silício empilhadas e ligadas por interconexões verticais

A parte mais curiosa da ficha técnica é a forma como a Huawei conseguiu esse ganho sem acesso às litografias mais avançadas. Em vez de encolher transistores, o Kirin 9050 Pro usa uma técnica chamada LogicFolding, que empilha duas camadas ativas de silício viradas uma para a outra e as conecta por cerca de 50 milhões de interligações verticais com passo de 1,5 micrômetro. Na prática, é uma forma de colocar mais lógica na mesma área sem depender de um nó de fabricação mais fino.

E é aí que a promessa de independência total merece uma ressalva. O chip continua sendo produzido no processo de 7 nm de terceira geração da chinesa SMIC, e essa linha usa scanners de imersão da holandesa ASML, que carregam componentes americanos. A explicação mais provável é que esses equipamentos foram comprados antes das restrições de exportação de outubro de 2022. Ou seja, o projeto pode ser todo chinês, mas a fábrica ainda tem um pé no Ocidente.

Por que isso importa

A Huawei entrou na lista de sanções dos Estados Unidos em 2019 e perdeu acesso ao Android do Google, aos chips da Qualcomm e à TSMC, sua antiga fabricante. A empresa quase saiu do mercado de celulares, mas voltou em 2023 com o Mate 60 e um Kirin feito na SMIC, o que virou símbolo político na China. O Kirin 9050 Pro é a continuação dessa história: cada geração aumenta a distância da cadeia americana, e agora a empresa se sente segura o bastante para falar em 100%.

Para o consumidor brasileiro, o impacto direto é pequeno, já que a Huawei não vende celulares oficialmente por aqui há anos, embora os relógios da marca, como o Huawei Watch GT 7 Pro, sigam chegando normalmente. O que vale acompanhar é o efeito indireto: um segundo ecossistema de chips avançados, fora do alcance das sanções, muda a conta de toda a indústria, de Qualcomm e MediaTek até a Apple. A Huawei não informou quais aparelhos estrearão o novo processador, mas a expectativa do mercado é que a linha Mate 90 seja a primeira a recebê-lo.

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