O governo federal anunciou a aquisição de dois supercomputadores voltados ao desenvolvimento de inteligência artificial no Brasil, com investimento total de aproximadamente R$ 2,3 bilhões. A iniciativa faz parte do Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA), que prevê aportes de R$ 23 bilhões até 2028 para construir infraestrutura digital e capacitar profissionais no setor.
A estratégia adotada é deliberadamente dual: uma máquina com tecnologia ocidental e outra com tecnologia oriental, garantindo diversificação e reduzindo a dependência de um único fornecedor em um momento de crescente tensão geopolítica em torno de chips e infraestrutura digital.

Os dois equipamentos
O primeiro supercomputador utilizará chips Nvidia — com possibilidade de participação de AMD e Intel —, com custo estimado em torno de R$ 1 bilhão. Segundo o governo, a capacidade computacional permitirá o treinamento de um modelo de IA completo em até um mês. A máquina deve estar disponível para uso ao final de 2027 e será acessível a pesquisadores de empresas privadas, universidades e órgãos públicos.
O segundo equipamento é baseado na plataforma Huawei Atlas 950 SuperPod, com participação da empresa de IA iFlytek. O contrato é de R$ 1,276 bilhão por cinco anos, com gestão pela Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP). Este segundo sistema tem foco mais específico: capacitar 5 mil profissionais em IA, apoiar o desenvolvimento de softwares nacionais e treinar um modelo de linguagem em português brasileiro. A previsão de operação é meados de 2027.
Além do hardware
O pacote de anúncios vai além dos dois supercomputadores. O governo também firmou parceria com a Espanha para formação em chips baseados na arquitetura RISC-V, com horizonte de 10 a 15 anos — uma aposta na soberania tecnológica no nível do silício. Está prevista ainda a criação de uma nuvem nacional, desenvolvida pelo MGI e pelo Serpro, e a implantação de um Centro Nacional de Transparência Algorítmica e IA Confiável, voltado à governança dos sistemas de inteligência artificial no setor público.
A iniciativa posiciona o Brasil entre os países emergentes que buscam ativamente desenvolver capacidade própria de IA, em vez de depender inteiramente de modelos e infraestrutura estrangeiros. O desafio de execução — especialmente dentro dos prazos anunciados — será o termômetro real da ambição do plano.
