Quem pega a estrada pelo interior do Brasil conhece a cena: o celular perde o sinal no meio do trecho e só volta dezenas de quilômetros depois. O governo federal quer encurtar esses vazios obrigando as operadoras a dividir suas redes nas rodovias a partir de 2027. A regra está na Política Nacional de Conectividade em Rodovias, apresentada em 15 de outubro.
Como vai funcionar
O roaming entre operadoras passa a ser automático. Se a sua prestadora não tem antena em determinado ponto da estrada, o aparelho se conecta à rede de uma concorrente que tenha cobertura ali. Não será preciso trocar de chip nem mudar de número. Segundo o governo, usar a rede emprestada também não gera cobrança adicional no plano.
Isso muda a lógica atual, em que cada empresa cobre apenas as áreas onde decidiu investir. Em muitas rodovias existe uma antena de uma operadora e nenhuma das outras, e o cliente da empresa errada fica sem ligação, sem internet e sem GPS atualizado.
Os números da meta
Hoje, 27,2 mil quilômetros de rodovias federais têm sinal de celular. A política foi desenhada em conjunto pelas pastas de Comunicações e de Transportes e mira 57,1 mil km cobertos até 2030, o que representa 77% da malha federal. Somando as estradas estaduais, o alvo sobe para 72,3 mil km com 4G ou 5G.
O compartilhamento sozinho já pesa bastante na conta. Com o roaming, a presença de sinal nas rodovias federais passa de 36,6% para 58,9%, ou 44,1 mil km. A diferença entre esse número e os 57,1 mil km prometidos para 2030 precisará vir de cobertura nova.
Por que importa
O roaming obrigatório é a parte mais rápida do plano, porque aproveita antenas que já estão de pé. Para caminhoneiros, motoristas que fazem viagens intermunicipais e famílias que descem para o litoral nos feriados, a diferença aparece em situações concretas: chamar socorro depois de um pneu furado, receber o alerta de acidente no aplicativo de navegação ou simplesmente completar uma ligação.
Faltam detalhes que vão definir o efeito real da medida. O anúncio não informou em que mês de 2027 o compartilhamento entra em vigor nem como as operadoras vão acertar entre si o custo do tráfego de clientes alheios. Também não há indicação de quais rodovias recebem antenas novas primeiro.
Pelo cronograma divulgado, o roaming obrigatório começa a valer em 2027, e a meta de cobertura de 77% das rodovias federais tem prazo até 2030.
